O mundo está cheio de lugares inóspitos. O corpo humano, se bem que com enorme resistência, em situações extremas de temperatura, pode “desligar-se”. E a sua máquina? Como reage ela ao frio polar, à humidade, ao calor e aridez?

Há fotógrafos que não só enfrentam algumas das piores condições atmosféricas possíveis de imaginar, como transportam para esses mesmos locais as suas máquinas fotográficas. Foi por isso que decidimos mostrar-lhe como se comportam, genericamente, as câmaras digitais nestas situações. E, acredite, há pequenas curiosidades que não vai querer perder!

Digital contra Frio
Se, na nossa opinião, muitos se queixam, sem razão – quando comparado com o que se conseguia com o analógico – que as suas máquinas mostram muito ruído em ISOs elevados, então fique a saber que uma digital com o sensor “refrigerado” reduz consideravelmente o ruído sempre que se puxa pelo ISO. Mas, acredite, este é mesmo o único benefício de submeter a sua máquina a temperaturas negativas. Assim que chega aos 0º C a sua bateria descarrega muito mais rapidamente, o número de disparos rápidos diminui e o ‘viewfinder’ (óculo) embacia. Mas o pior mesmo é a condensação que dá cabo dos circuitos integrados. No caso dos tripés, até o pouco lubrificante que possam ter congela, tornando as suas juntas mais frágeis.


> Lugar mais frio do planeta: Ridge A, um local situado no Planalto Antárctico e onde nenhum ser humano sequer pensou em colocar o pé, foi descoberto no ano passado por cientistas quando procuravam um novo local para instalar um telescópio. A temperatura média no Inverno é de -70º C, podendo atingir os -97º C!

Digital contra Humidade
Bem, depois de alguns dias de calor e humidade entre 80 e 100 por cento, os circuitos integrados da sua câmara ficarão feitos num oito com a condensação – as lentes seguirão o mesmo caminho. Nestas condições extremas, poderá ver-se privado do seu equipamento durante horas, ou mesmo dias, até que o equipamento seque.


> Lugar mais húmido do planeta: Alguns dos locais mais húmidos encontram-se junto ao Equador. Cidades perto do Sul e Sudeste da Ásia têm humidade para dar e vender, bem como Kerala na Índia, Manila nas Filipinas e Banguecoque, na Tailândia.

Digital contra Aridez

A junção de areia, pó e vento são o que de pior pode existir à face da Terra, para o seu equipamento digital. Agora imagine locais onde todas estas condições se combinam. Resultado: fotografias arruinadas se o espelho, ou lentes, da câmara forem expostos (nem que seja por milésimas de segundo) a estes elementos. Acredite que dificilmente se verá livre dos mesmos.

> Lugar mais árido do planeta: Deserto Atacama, localizado na região norte do Chile. Quanto a isto não há discussões possíveis. Trata-se de um deserto que não vê chuva digna de nome há várias décadas.

Digital contra Calor
Quando aqui falamos de calor não nos referimos àquele que encontra nas praias do Algarve, durante os meses mais quentes. Isso é brincadeira quando comparado com… vulcões. A maior parte das DSLR trabalham dentro duma determinada faixa de temperatura que, uma vez ultrapassada, poderá levar ao mau funcionamento da câmara, ou até ver derretidos elementos electrónicos. Junto aos vulcões, os vapores ácidos são o pior inimigo já que se podem infiltrar no corpo e “estalarem” as lentes num abrir e fechar de olhos.

> Lugar mais quente do planeta: O Vulcão Dallol, situado na Etiópia, é considerado por muitos o local mais “quentinho” da Terra, com uma temperatura ambiente média de 34.4º C. Mas em 1975, em Furnace Creek, uma região localizada no estado americano da Califórnia, mais precisamente no “Death Valley National Park”, chegou-se a medir 93.1º C no chão. E em 1992, em El Azizia, na Líbia, viram-se subir os termómetros à incrível temperatura de 57.8º C.