Se faz parte do grupo de pessoas que pretende adquirir alguns filtros gradientes de densidade neutra (GND), mas não se consegue decidir entre as versões Hard e Soft, podemos tentar ajudá-lo. Não é uma tarefa fácil, mas também não é impossível.

Por serem mais tolerantes, grande parte dos fotógrafos escolhe filtros GND de passagem suave (Soft). Mesmo que puxe o filtro demasiado para baixo no suporte, não será muito evidente na imagem final. Logo, ao contrário daquilo que poderia pensar, se fossemos nós a adquirir, optaríamos pela versão Hard (ou passagem abrupta).

O filtros de passagem suave, como o nome deixa adivinhar, têm uma gradação da área escura para a mais clara, suavizada, pelo que a sua densidade desaparece praticamente no topo do filtro. Isto é, quando chega ao centro, praticamente não corta luz. Trocando por miúdos, se recorrer a um 0.9ND gradiente na versão Soft, o único sítio onde usufrui da densidade 0.9 (ou três stops de corte de luz) é junto ao topo do filtro.

Imaginando que está a fotografar no pôr-do-sol e este já se encontra demasiado baixo, perto da linha do horizonte, está-se mesmo a ver que é aqui que a graduação suave é pouco efectiva.

Alguns fotógrafos tentam contornar a situação colocando a parte mais escura do filtro bem junto ao horizonte, de forma a prevenir o estouro (sobrexposição) do céu, pelo que a gradação começa a meio da composição, o que não é muito conveniente e estético.

Já na versão Hard a transição da área escura para a mais clara faz-se abruptamente, pelo que a densidade é mais consistente numa área bastante maior. Logo, são mais efectivos quer no nascer como no pôr-do-sol, sempre tendo em atenção que o fotógrafo terá que ter maior cuidado no seu alinhamento, ao contrário do que acontece com os Soft. Mesmo assim terá que cometer um grande erro para que estes filtros se tornem muito evidentes na imagem final.

Lee e Singh-Ray são, eventualmente, as duas marcas de topo no que respeita a filtros, mas custam uma pequena fortuna.

Cokin é uma possibilidade, mas se quer um bom compromisso entre qualidade e preço, então os Formatt/Hitech revelam-se a escolha acertada. Compre um conjunto de três, com densidade 0.3 (1 stop), 0.6 (2 stops e eventualmente o que mais utilizará) e 0.9 (3 stops) e os seus céus ganharão outra vida.

No que respeita a filtros, deixamos-lhe aqui mais algumas dicas que consideramos pertinentes:

– Modo de suporte dos filtros: anéis de fixação e métodos rudimentares, ou mesmo “à mão” (desaconselhável – risca e a partir de uns 5″ exposição começa a ser… aborrecido).

– Utilização para prevenir vinhetagem em ultra-grande angular em formato “full-frame” (1:35mm) ou APS – apenas uma hipótese: filtros de 100mm e mesmo assim… Incompatível com polarizadores ou outros filtros circulares – mesmo “Slim” Ø3mm – quando se usa anel adaptador, isto na distância focal mínima – por exemplo – 12mm no formato APS para uma objectiva 12-24mm.

– Limpeza – muito cuidado. Riscos nestes filtros são fáceis de fazer… e impossíveis de retirar. A arrumação do filtro, manuseamento em campo, bolsa de feltro, o pano de micro-fibras e uma gota de líquido lava-loiça para limpeza – e sobretudo – não haver pressa mas sim atenção no terreno nas operações de muda de filtros, arruma aqui, tira dali, vai um para o bolso… são inimigas para a boa conservação e aumento de vida do filtro.

– Ter em consideração: um filtro graduado ND é um consumível – mais tarde ou mais cedo deixará de produzir resultados de excelente qualidade. Sim, vai ter alguns riscos e a imagem vai ter “flares”, “ghosts” – reflexos e artefactos indesejados.

– Em situações de contra-luz: um filtro destes terá de estar em condição praticamente imaculado para não produzir os efeitos acima indicados.

– Sobreposição de 2 filtros. Não é aconselhável, embora por vezes apeteça mesmo e a diferença de um bom equilíbrio de luz seja 4 ou 5 stops. Neste caso, eu faria 2 ou 3 exposições e “misturava” as imagens no processamento em Photoshop, pois adquiro um efeito mais natural e evito trabalhar directamente no terreno com diferenças tão grandes de luz (entre céu/terra, por exemplo 😉

– Preferencialmente, ter mais do que um filtro de certa graduação e intensidade. Isto é importante. Não se vai querer falhar a foto no momento mais crítico, mas se a utilização de um filtro específico está a ser necessária (embora esta questão seja discutível – devido às técnicas de ‘blend’…) e houve um que caiu à areia molhada na praia, não há tempo agora para o limpar, e essa operação é demorada e cuidadosa… passa-se para o outro filtro num instante.

– Ter um jogo de filtros completo, 85mm e 100mm, desde 1 a 3 pontos de exposição. Um dos mais úteis é o “Hard Edge” de 3 stops.

– Ter muita atenção no corte de luz, e na zona do corte de luz quando se está a compor… aqui é o olho e a prática a funcionar, mas para quem começa a utilizar este tipo de filtros, é um erro comum inicialmente.

Não perca as próximas edições da revista zOOm – Fotografia Prática para ficar a saber quase tudo sobre filtros e como usá-los correctamente.

Links úteis:
Singh-Ray – http://www.singh-ray.com
Lee Filters – http://www.leefilters.com/camera/
Cokin – http://cokin.com/ico3-p0.html
Hitech – http://www.formatt.co.uk/glass-filters/glass-filters.aspx
Representante em Portugal dos Formatt/Hitech: http://loja.laserlab.pt/

Texto: zOOm e Hélio Cristóvão [http://members.photoportfolios.net/heliocristovao]