“A paixão pela fotografia é o que me leva a sair de casa para fotografar”

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António Pereira

Fotógrafo que acredita que o olhar e o sentimento fazem a diferença em qualquer fotografia. Viajante, com a sua câmara já registou imagens de natureza pura, ou de cidades fervilhantes de vida. O seu recreio é grande, com espaços que vão desde a água, montanha, beira mar, ou cidades.

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Sente-se como peixe na água, seja na cidade, na montanha, ou junto ao mar. A sua câmara é afortunada, pois já viajou por todo o mundo, guardando nela belíssimas imagens de cidades como Roma, Nova Iorque ou Veneza. Convidamo-lo a conhecer o trabalho de António Pereira, o fotógrafo que acredita que o olhar e o sentimento fazem toda a diferença em qualquer fotografia.

 

Canon 6D . Canon 16-35mmF4L @16mm . f/11 . 1/25″ . ISO 200 – Picos da Europa

A fotografia de António Pereira tem montanha, mar, cidade. Qual é o seu habitat natural? O lugar onde se sente “em casa” quando está a fotografar?
Não tenho uma preferência definida dentro do landscape. Tudo depende do momento a retratar. Procuro sempre fotografar nas horas com a luz mais difusa e já tive a sorte de fotografar o amanhecer e o entardecer em ambientes fantásticos espetaculares, momentos absolutamente incríveis, em qualquer um dos cenários que refere.

Penso que será o ambiente da cena que temos pela frente, a luz, as cores, o próprio enquadramento, que ditam e muito a “magia” de fotografar paisagem, independentemente se é na neve, mar, rio, cidade ou montanha.

Quando me iniciei nesta arte, a fotografia costeira foi uma grande escola para mim e fotografava o mar quase semanalmente. Hoje fotografo mais montanha e cidade mas não tenho preferência. O meu “habitat natural”, será de uma forma geral, o landscape. É aqui que me mais me realizo enquanto fotógrafo, onde obtenho o prazer da evasão e do contacto com o “criador”.

As paisagens belas, quase impressionistas, já lhe valeram mais do que uma presença na revista National Geografic. Qual o segredo de uma boa fotografia de paisagem?
Sinceramente, penso que não existem segredos. Uma boa fotografia de paisagem será sempre aquela que retrate uma cena natural ou citadina e que, de uma forma apelativa, “crave” a atenção de qualquer pessoa. Se estiver perfeita tecnicamente, será o olhar e o sentimento do fotógrafo que farão a diferença e a tornará numa fotografia mais ou menos apelativa.

Há muitas (e belas) cidades por onde o António e sua câmara já passaram. Qual a sua favorita? E quais os grandes desafios de a fotografar?
Tenho tido a sorte e o prazer de poder fotografar em vários países e em várias cidades, algumas delas são bastantes fotogénicas. Porém, não tenho uma que possa dizer que é a preferida. Todas têm recantos e encantos diferentes, luz diferente, a sua própria identidade. Por exemplo, a cidade de Veneza consegue juntar a água com o casario e os barcos, motivos que a tornam desafiante, principalmente pela noite, quando a luz é escassa, e se pretende retratar todo o misticismo da cena, levando-nos para séculos passados.

Nova Iorque onde tudo acontece, não faltam motivos para um bom landscape urbano. Algumas cidades mais pequenas como Rothenburg of der Tauber (Alemanha), Estrasburgo (França) e Salzburgo (Áustria), entre tantas outras, na época natalícia são autenticas preciosidades que nos oferecem ambientes perfeitos para fotografar paisagem ou mesmo retrato. A monumental Roma, com as suas coloridas “piazzas” e monumentos únicos.

A minha cidade, o Porto, simplesmente fantástica, com um ADN muito próprio, onde as neblinas matinais são um regalo para qualquer fotógrafo. Talvez seja no Porto que estará o meu maior desafio, fazer a fotografia certa num ambiente perfeito. Um dia, quem sabe, terei o prazer de a fazer.

Recuemos um pouco, até às origens do seu gosto pela fotografia. Como é que tudo começa? E qual a primeira câmara?
Já lá vão uns anitos, quase uma década. Tudo começou com a aquariofilia e a dificuldade de fotografar aquários, o que me levou a pesquisar e estudar fotografia, despertando em mim a paixão por esta arte. Jamais esquecerei as primeiras dicas do meu amigo Filipe Oliveira, um conhecido aquascaper que necessitava, tal como eu, de fotografar aquários com as suas montagens e que, no fundo foi um grande impulsionador para o meu arranque na fotografia, um amigo a quem estou e estarei sempre grato.

Como já lhe referi numa questão anterior, no início tive sempre presente a fotografia costeira, onde ensaiava enquadramentos, exposições e profundidades de campo, sempre com a vontade de saber mais e fazer cada vez melhor. Lembro-me bem quando adquiri os meus primeiros filtros de densidade neutra e ter conseguido com eles o primeiro “arrastamento” da água e do céu. Foi fantástico. Sentia que registar e eternizar momentos era algo que gostaria de fazer para sempre.

Depois de ter adquirido uma Sony compacta de 3,2MP, em 2007, foi em 2009 que comprei a minha primeira reflex, uma Canon 500d e duas lentes, a 17-85mme a 70-300mm. Foi com este equipamento que fiz a minha primeira viagem fotográfica, aos Açores.

Canon 6D . Canon 16-35mmF4L @16mm . f/11 . 20″ . ISO 160 – Zaanse Schans

No seu saco/mochila de fotografia há certamente uma peça que é determinante para o seu trabalho…
Diria que existe não uma mas sim várias. Depende tudo do tipo de sessão que temos pela frente. Tenho por hábito preparar o saco com antecedência, tendo sempre em conta o que vou fotografar. Se for retrato, o flash será quase imprescindível. Caso sejam eventos indoor, uma lente luminosa é quase obrigatório. Como maioritariamente faço fotografia de paisagem, diria que um tripé será a peça mais determinante a ter em conta, para além da máquina, lente e cartão.

Hoje a fotografia vive em boa parte do trabalho que é feito em frente ao computador. Que dose de edição de imagem aplica em cada uma das suas fotos?
Tento aplicar sempre a edição necessária para retratar o momento que vivenciei e, se possível, dar ênfase a algum pormenor que torne a imagem mais apelativa. Raramente uso foto-manipulação nas minhas fotografias, simplesmente as “maquilho” e revelo. Já em campo, tento obter o melhor RAW (negativo digital) que consiga, seguindo sempre a velha máxima de que a fotografia faz-se no terreno e não no computador.

Mas entendo que há áreas na fotografia em que a manipulação e a edição intensa são ferramentas importantes para se conseguir o produto final, principalmente a fotografia comercial. Acredito que a edição tem ganho importância com a evolução do software.

Canon 6D . Canon 16-35mmF4L @16mm . f/8 . 0,4″ . ISO 400 – Lubeck

Duas perguntas, numa só: o que é que o leva a sair de casa para fotografar? E o que é que o inspira no momento de escolher o local da foto e de apertar o disparador?
A paixão pela fotografia é, sem dúvida alguma, o que me leva a sair de casa para fotografar. Registar momentos e eternizá-los para sempre. Sentir o momento de evasão que encontro quando estou a fotografar é algo que me faz muito bem e me preenche. Isto por si só é bastante inspirador, ainda mais quando se encontra pela frente um ambiente de cena daqueles que realmente são uma dádiva.

Tenho tido a sorte e o prazer de encontrar cenários fantásticos quer ao nascer, quer ao por do sol. E companheiros que se tornaram amigos para a vida. Aqui, se me permite, gostaria de mencionar e agradecer a quem me tem acompanhado nestas lides da fotografia, entre outros o meu amigo e excelente fotógrafo Rui Ribeiro, com quem tenho tido o prazer de fotografar e partilhar excelentes momentos, e o meu amigo José Peralta, por quem tenho também tenho uma consideração e admiração enormes, não esquecendo tantos outros que poderia mencionar. A todos, de alguma forma, estarei sempre grato pela partilha de conhecimentos, pela companhia e amizade.

Na vida de todos os fotógrafos há sempre um episódio trágico-cómico. Uma história divertida ou incidente hilariante que tenha acontecido enquanto fotografava.
Vou contar um episódio que vivi há uns anos atrás, na cascata da Cabreia, Sever do Vouga, e que no fundo tem tanto de cómico como trágico. Certo dia, fui fotografar com um colega para este lugar e, quando lá chegamos, estavam já dois sujeitos com o seu tripé e máquina em ação. Procurei o melhor enquadramento por entre o espaço disponível, mas o meu colega insistia em fotografar o mesmo enquadramento que um dos outros sujeitos.

Quem conhece o espaço sabe bem que se torna perigoso arriscar fotografar em cima das pedras, muito mais sendo inverno e o rio levar um caudal considerável. Sendo conhecedor de tudo isto, mesmo assim o meu colega arriscou cair na água… e caiu… tentando fazer do tripé um apoio após ter escorregado, partiu-o e caiu na água com máquina, lente e filtros. A corrente arrastou-o, mas qual Luís de Camões, conseguiu segurar-se a uma pedra com uma mão e segurar a máquina com a outra.

Fui então alertado por um dos outros desconhecidos que o meu colega tinha caído à água. Logo me apressei em ir em seu auxílio quando me deparo com a sua saída de água, triunfante por ter salvo a “pele” mas reticente pelo equipamento. Não sabia se havia de rir ou chorar. O equipamento acabou por ser salvo pela metade, salvou-se a lente e filtros mas a máquina teve morte quase imediata.

Não obstante este episódio e depois de uma subida atribulada até ao carro, deparamo-nos com a falta de bateria do mesmo. Lá tivemos de chamar a assistência em viagem. Foi, de facto, uma das histórias mais trágicas e ao mesmo tempo mais cómicas que vivenciei na fotografia.

Se a sua câmara falasse. O que diria ela?
Se a minha câmara falasse contaria certamente as histórias que estão por de trás de todas as minhas fotografias. A imagem final é só o resultado de um longo processo, recheado de vários apontamentos que ficam, por norma, com quem os vive na primeira pessoa. De todas as minhas fotografias, sem exceção, consigo lembrar os momentos que antecederam o clique. Todas têm uma história e seria isso mesmo que a minha câmara contaria.

Equipamento:
Canon 6D
Canon 16-35mm f4 IS
Canon 24-105mm f4 IS
Canon 70-200mm f4 IS
Canon 85mm 1.8

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