Tripé Rollei “Compact Traveler No 1 Carbon”

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Maurício Reis

A fotografia faz parte da minha vida desde sempre, mas com mais intensidade desde 1999, quando comprei a minha primeira máquina digital, com menos de um megapixel de resolução. Entretanto passaram 20 anos e a paixão continua a mesma. Ou ainda maior. Se é verdade que gosto de todos os géneros de fotografia, desde o desporto, moda, retrato e de rua, é na paisagem que encontro o meu equilíbrio. Gosto de me levantar cedo, ou de ficar bem para lá depois do sol se pôr, gosto de sentir o vento, os sons, a natureza...

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Se está a pensar comprar o seu primeiro tripé, se quer substituir o que tem por ser de pouca qualidade, ou deseja um de backup, mas não quer gastar muito dinheiro, mas ao mesmo tempo ter um tripé que lhe ofereça confiança, não imagino melhor compra do que o Rollei Compact Traveler No1 Carbon. Saiba porquê nesta review.

 

Quando um homem mete uma coisa na cabeça, é difícil de voltar atrás. Se for fotógrafo, ainda pior, não descansando enquanto não conseguir aquele acessório com que anda a sonhar há dias, mesmo que para isso tenha de vender um rim – haverá mesmo quem já tenha pensado vender os dois ou a própria mãe, mas já era um abuso. Felizmente, o acessório que me andava a incomodar os pensamentos não me obrigaria a cometer uma loucura, com “poucos” euros resolveria o assunto.

E que acessório é que me andava a tirar o sono? Um… tripé. Sim, um simples tripé que, para mim, seria mais um tripé, para juntar a um outro que tenho. A minha mulher costuma ter o mesmo tipo de “problema”: um simples par de sapatos, que são para juntar a tantos outros, por vezes também lhe tira o sono… Só que ela precisa mais dos sapatos, diz ela. A minha opinião é que eu “preciso” mais do tripé, que é para nos acompanhar em “futuras viagens” que venhamos a fazer. Um bom argumento, não acham?

Neste artigo falo sobre as vantagens de fotografar sem tripé, mas para o tipo de fotografia que normalmente faço, “precisava” mesmo de outro. O meu tripé habitual é um Manfrotto 055CXPRO3. Robusto, bem construído, em carbono, não muito pesado e que já me acompanha há muitos anos, sem qualquer tipo de problema. Mesmo quando mudei de equipamento, de Canon para Fuji, resolvi que ia ficar com ele, que não ia comprar um mais “adequado” à nova câmara e objetivas, mais pequenas e leves. E assim foi.

Mas, aos poucos, uma voz começou a fazer-se ouvir na minha cabeça, a dizer que devia ter um tripé mais leve, que fosse mais adequado para levar em viagem, de férias, ou naquelas saídas para fotografar em que não me apetece andar tão carregado. Daí a não conseguir deixar de pensar noutra coisa, foi um flash. Sabem do que estou a falar, não é? Somos como os miúdos, só que em grande…

Pois bem, o que haveria no mercado que me fosse entusiasmar, que fosse “aquilo” que me obrigaria a delapidar mais um pouco a conta bancária? Os dias seguintes foram passados a pesquisar em lojas online de fotografia. Tantos tripés bons e bonitos vi. Uns caros e outros que me obrigariam a vender o tal rim que não queria. Será que já ninguém faz tripés bons, bonitos e baratos? – pensei.

Num dia de sorte cruzo-me com algo – já não sei bem se num blog, se no YouTube, ou publicidade sugerida pelo Google – que me fez parar. Provavelmente tinha achado o que pretendia. Depois de tantas horas a pesquisar, ali estava ele, a olhar para mim: o Rollei “Compact Traveler No 1 Carbon”. Havia uma versão em alumínio, mas a diferença de preço não era significativa e como não ando a comprar tripés todos os dias, não era necessário estar a poupar alguns euros para me arrepender no futuro.

Tudo bem, o tripé é em carbono, esteticamente agradável, leve e pequeno suficiente para o meter numa mala de viagem, ou para o carregar durante horas sem dar pela sua presença. E nem precisava de me preocupar em pesquisar uma cabeça, pois a mesma também já fazia parte do conjunto. Mas será boa compra? Antes de fazer o ‘checkout’ na loja online onde o acabaria por comprar, resolvi investigar mais um bocado, para ver se encontro reviews que me digam que o que estou prestes a comprar é bom. Mas, para ser sincero, estava tão entusiasmado com o Rollei Traveler que se encontrasse uma review negativa, ia à procura de outra em que a conclusão fosse positiva – há bloggers/vloggers que às vezes gostam de “embirrar” com um produto e, podendo ser o caso, teria de encontrar outra review que falasse bem sobre o mesmo, pois era necessário ter um motivo para justificar a minha compra. Também aqui sabem do que falo…

Depois de algumas pesquisas, não encontrei reviews dignas sobre o Rollei. O que encontrava eram artigos sem grande interesse. Sobre máquinas e objetivas encontramos muita coisa, mas nem por isso quando se tratam destes acessórios mais “secundários”.

Sem medo, acabei por carregar no botão ‘Pay Now’ e o que se seguiu foram dois dias de ansiedade, que apenas terminou quando a empresa de transportes tocou à campaínha. O Rollei “Compact Traveler No1 Carbon” tinha acabado de chegar.

Pouco mais de seis meses depois, o que posso, finalmente, escrever sobre ele? Vale o investimento? Pode ser um bom tripé principal, ou será melhor tê-lo como backup, para viajar, ou para saídas fotográficas mais relaxadas? Depois do que já escrevi até aqui – sem dizer muito, como já deve ter percebido -, pode não acreditar, mas vou tentar ser relativamente sucinto em relação à opinião que tenho sobre este tripé.

Quem começou a fotografar há pouco tempo não dá a devida importância ao tripé. Qualquer um é bom, qualquer um serve. Mas, acredite, que mais cedo ou mais tarde vai concluir que, afinal, o tripé é tão importante como a câmara, principalmente se for fotógrafo de paisagem ou viagem.

Contudo, nem todos temos as mesmas necessidades. Muito dificilmente o conseguiria convencer a transportar um tripé grande, em alumínio, ou mesmo em carbono, com três ou quatro segmentos, se fosse um fotógrafo de viagens. Felizmente, se até há bem pouco tempo era difícil conseguir encontrar uma boa solução para este tipo de necessidades “especiais”, hoje já existe alguma oferta. Mas, como em tudo, existe o mau, o interessante e o bom,  como é o caso deste Rollei.

As características que me deixaram sem palavras
Quando abro pela primeira vez a embalagem fico agradavelmente surpreendido: o Compact Traveler é leve, aparentemente bem construído e suficientemente pequeno para caber numa mala de viagem, ou mesmo numa mochila, dependendo da quantidade de acessórios que se transporte. As características que podemos encontrar na ficha de produto são:

  • Weight: 0.98 Kg
  • Height when closed: 33 cm
  • Maximum height: 142 cm
  • Minimum height: 34 cm
  • Maximum Allowable Load: 8 Kg

Com o tripé vem uma ball head, que é compatível ARCA SWISS e inclui um nível de bolha; um saco para transporte, uma correia para transporte ao ombro e um… kit de ferramentas, que permite desmontar completamente o tripé! Fiquei sem palavras. Por pouco mais de 100 Euros recebo um tripé em carbono muito bem “equipado”.

O Rollei “Compact Traveler No 1” é composto por quatro segmentos, sendo esta uma das razões para que se torne tão compacto quando fechado, mas ao mesmo tempo consiga chegar aos 142 cm de altura máxima. Todos os segmentos são em fibra de carbono, enquanto os elementos de ligação são feitos de magnésio, tornando-o num acessório leve, mas de certa forma robusto. Abrir e trancar os segmentos não podia ser mais simples, pois com o sistema do tipo ‘quick-release’, basta rodar um pouco a roda do bloco e a perna estica como desejado; uma rotação inversa e tranca a posição. Simples e rápido.

A mudança do ângulo de abertura das pernas é do tipo ‘press-release’, o que significa que basta pressionar a respetiva placa metálica para libertar a perna. Como na grande maioria dos tripés, incluindo o meu Manfrotto, existem três posições de uso, com variação entre os 50º e os 180º. Sim, 180º graças ao facto da coluna central do tripé não se estender até ao fundo.

Numa das primeiras saídas fotográficas com o Rollei, o vento estava forte com a estabilidade a ficar comprometida. Com o meu Manfrotto nunca tinha tido semelhante problema, pelo menos com forças de vento iguais aos deste dia. Mas, ao contrário do meu tripé maior, este possui, na base onde estão agarradas as pernas, um gancho que permite pendurar a sua mochila, ou um peso. Por isso já sabe, não ignore esta preciosa ajuda, principalmente se colocar o tripé num local com vento forte.

Se, pelo preço, já nem pedia mais, eis que existem mais duas características que destacam este Rollei dos seus concorrentes. Para mim, se este tripé fosse correr os 100 metros, com outros idênticos, não precisaríamos de recorrer ao photo finish, pois chegaria à meta com grande vantagem. Isto porque, para além do que já referi, reparei que uma das pernas é removível e pode ser montada diretamente na ball head transformando o tripé num útil monopé! Ou seja, paguei por um tripé e afinal recebo um monopé como extra. Bem pensado!

Normalmente, quando colocamos os pés de borracha do tripé num piso escorregadio, seja erva, placa de gelo, ou qualquer outra superfície do género, as borrachas são pouco efetivas. A pensar nisso, a Rollei permite que as pequenas tampas de borracha sejam removidas, revelando uma mais útil ponta metálica.

E no dia a dia de uso real, como se comporta?
Não posso negar que o que me levou a escolher este Rollei Compact Traveler foi o facto de ser feito em carbono, ficar relativamente pequeno quando fechado e ter um design cuidado, agradável. Sentado ao computador, a ver as imagens do tripé na Internet não tinha ideia absolutamente nenhuma de como se comportaria no terreno, se era ou não bem construído e, importante, robusto.

Até agora já sabe que é bonito e bem feito, sobre isso não há qualquer dúvida, já o disse aqui várias vezes. Agora vamos ver o que podemos encontrar escondido por baixo de todo este pacote de características interessantes. E, para começar, nada melhor do que abordar a questão da manutenção. De cada vez que regresso a casa, depois de uma saída fotográfica, tento limpar o meu Manfrotto, principalmente(!) se estive à beira-mar e o tripé ficou molhado. Em casa lavo-o completamente com água corrente e deixo-o secar. Mas, mesmo assim, em alguns parafusos é possível encontrar salitre, que se vai infiltrando e acumulando com o tempo. Depois, há pequenas areias que tentam penetrar nas junções das pernas. Infelizmente, nem sempre tenho tempo para cuidar melhor do Manfrotto, até porque necessitaria de ferramenta para o desmontar completamente, ou que o processo fosse simples.

E é exatamente o que me é oferecido neste Rollei. Não só vem acompanhado por um útil kit de ferramentas, como é muito simples de ser completamente desmontado. Em particular, os segmentos das pernas podem ser facilmente limpos, pois cada um deles sai para facilitar o processo. E, melhor ainda, depois de desmontar uma perna reparo que, para além do Teflon que permite o deslizamento suave entre os segmentos, existem três vedações que impedem o arrastamento de areias, ou outras partículas sólidas, na parte interior da perna, que acabariam por danificar o movimento e a durabilidade do próprio tripé.

Algo que nunca tinha reparado com as Canon, depois de ter começado a fotografar com as minhas Fuji parecia que, no terreno, com a máquina no tripé, este ficava “desequilibrado”. E não, não estou a falar da estabilidade, mas sim no aspeto final do conjunto: uma máquina relativamente pequena, para um tripé tão “grande”. Mas fui-me habituando e essa sensação foi desaparecendo. Mas admito que também poderá ter sido uma das subliminares razões que me levaram a querer um tripé mais elegante.

Mas não nos podemos deixar enganar pelo ar “frágil” do Rollei Compact Traveler. Se, para além de Fuji, tiver uma outra DSLR maior, ou uma Fuji GFX(R) por exemplo, não tenha medo de a usar, pois o Rollei é capaz de suportar conjuntos de câmara e objetiva até uns interessantes 8 Kg. Ou seja, é caso para dizer que este tripé aguenta a minha X-T2 + 55-200mm com uma “perna às costas” – como costumamos brincar em Portugal.

Para o fim, deixo o resultado de uma experiência que fiz e que repliquei de outra que vi algures na Internet: deixar o tripé dois dias no congelador. Naturalmente que fiquei apreensivo, mas também queria saber como se comportaria se algum dia o quisesse usar num local com temperatura negativa relativamente extrema.

Pois bem, o resultado não podia ser mais satisfatório, revelando que no Rollei foram usados materiais de qualidade e a construção está num nível superior. Mesmo congelado, é perfeitamente utilizável, com todas as partes a moverem-se normalmente. Consegui abrir e fechar todos os segmentos, alterar o ângulo das pernas e até a ball head se movimenta na perfeição. Perfeito!

Em jeito de conclusão
Não há qualquer dúvida de que posso confiar no Rollei “Compact Traveler No 1 Carbon”. É suficientemente compacto, leve e fiável. Tem tudo o que pretendia num tripé dentro deste género, mas que me oferece muito mais do que pensava que ia receber. Claro que não penso substituir o meu fiel Manfrotto, mas conto com o Rollei como um bom tripé de backup, para aquelas saídas fotográficas em que sei que não vou precisar de um tripé maior e mais pesado e, principal razão, para me acompanhar em viagens ou férias.

 

Onde comprar?
Pode adquirir o Rollei Compact Traveler No1 Carbon diretamente na loja da Rollei, ou questionando numa loja nacional da especialidade.

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