Domine a escuridão

Saia para fotografar mesmo quando já quase não há luz. Carregue as baterias da máquina, agarre no tripé e na mochila e saia porta fora. É hora de entrar pela noite dentro e fazer espetaculares fotografias com pouca luz.

 

Não é das técnicas mais fáceis, mas também não é um papão. Como qualquer outra técnica, fotografar com pouca luz requer apenas algumas preparação e meia dúzia de truques. E muita tentativa e erro, algo que já faz parte de quem é fotógrafo, ou pretende vir a ser.

Antes de qualquer coisa convém que não saia para a noite sem ter as bateria carregada. E, neste caso, estamos mesmo a falar da bateria para máquina. Se possível, tenha mais do que uma, já que as longas exposições consomem alguma energia. As temperaturas baixas – que não será tanto problema nesta altura do ano – também. É mesmo bom que não se esqueça, pois ir para longe e verificar que a bateria tem pouca carga é frustrante.

Na mochila deve ainda levar um par de lanternas, alguma comida e, porque não, algo para beber. E, se não for pedir muito, leve um amigo consigo, não apenas pela companhia, como por razões de segurança.

Na grande maioria das vezes, as melhores fotografias noturnas não são feitas quando já é mesmo noite, mas pouco após o pôr do sol. Este intervalo de tempo é designado pela ‘hora azul’ – repare que quando começa a escurecer e antes do céu ficar totalmente preto a cor predominante é o azul. É a hora “perfeita” porque ainda existe alguma luz no céu, dando um colorido muito interessante às fotografias. Obviamente, isto não quer dizer que não possa fotografar pela noite dentro, apenas terá de ajustar a técnica.

E nem vale a pena sair de casa sem levar consigo um tripé. Ajuste a câmara para fotografar em formato RAW e no mais baixo ISO possível (mais à frente, existe uma técnica onde pedimos que suba o valor, mas é das poucas em que tal acontece). Ao usar o RAW obterá o máximo de detalhe nas sombras e nas altas luzes (as áreas mais claras da imagem), enquanto que um ISO baixo significa que obterá a melhor qualidade de imagem.

Por fim, quando for fotografar com pouca luz verificará que mudar a focagem para o modo manual, em vez do automático, é uma melhor opção. Um controlo remoto, mesmo que básico, permite fotografar sem tocar no botão do obturador, reduzindo dramaticamente a possibilidade de obter imagens tremidas.

Está sem ideias para começar? Veja a seguir as nossas sugestões.

Agarre numa lanterna
Quando, no texto principal, falámos em lanternas, não tínhamos em mente a segurança, já que fotografar de noite não é o mesmo do que de dia, como também poderiam ser úteis para fazer fotografia. Esta técnica tem muito de tentativa e erro que, diga-se, é a parte engraçada. Peça a um amigo para apontar a lanterna para a câmara para que possa fazer a focagem em modo manual.

Depois, selecione uma abertura entre f/8 e f/11 e peça à pessoa para começar a desenhar um desenho ou uma palavra no ar. Certifique-se de que a lanterna está sempre apontada para a câmara. Se não tem ninguém consigo, coloque a câmara no tripé, defina o temporizador para 10 segundos e corra para a frente da objetiva e comece você mesmo a desenhar. Idealmente tenha vestido roupa escura.

Em termos de tempo de exposição, 30 segundos poderá ser um bom começo e depois pode ir ajustando consoante o objetivo final. Também pode praticar esta técnica dentro de casa, por exemplo. Não se esqueça é de apagar as luzes antes de começar…

Vá para a rua
Os rastros de luz do tráfego tanto podem ser captados dentro da cidade, como nas áreas adjacentes, como vias rápidas, auto-estradas. Um ponto de vista elevado funcionará sempre muito bem, mas não é essencial (ver, por exemplo, o ‘Segredo da Fotografia’ da edição 26). O que importa mesmo é que se trate de uma via movimentada, ou que a foto seja feita a uma hora de ponta, quando as pessoas regressam a casa para jantar.

Coloque a câmara no tripé, faça a focagem – se o fizer em modo automático não se esqueça depois de mudar para manual-, altere a definição da câmara para o modo Manual (não tenha medo), selecione uma abertura entre f/11 e f/16 e uma velocidade de obturação na casa dos 5 segundos. Espere pela movimentação dos carros e inicie a exposição. Vá variando a velocidade do obturador para conseguir o resultado desejado.

Divirta-se na feira
Por esta altura do ano as feiras arrancam também um pouco por todo o país. E, acredite, os carroceis podem ser muito fotogénicos. Caso deseje, pode fotografar alguns pormenores à mão. Neste caso não se esqueça de subir o valor ISO para valores compreendidos entre 1600 e 3200 e socorra-se da maior abertura que a sua objetiva permitir – f/1.8, f/2.8 – não só para conseguir tempos de exposição mais curtos, como para isolar pequenos detalhes.

Mas o melhor mesmo é colocar a câmara no tripé e fazer umas longas exposições. Use, por exemplo, a prioridade à abertura, colocando esta em f/13 ou f/16 e consiga largos segundos como tempo de exposição. Os efeitos que vai conseguir deixarão todos de boca aberta.

Há estrelas no céu
Convém mesmo que a noite, ou mais propriamente o céu esteja limpo de nuvens. Encontre e componha a estrela do Polar, ou do Norte, algures no enquadramento – há apps para telemóvel que ajudam a encontrá-la. Como já estará mesmo noite escura, tente focar numa estrela com a ajuda do LiveView – se a objetiva tiver escala, coloque em infinito. Feita a focagem, passe a mesma para o modo manual.

Altere também o modo da máquina para o Manual e defina uma exposição de 30 segundos e uma abertura relativamente grande, à volta de f/2.8 (mais uma vez, a objetiva terá de permitir este tipo de abertura). A partir daqui tire fotografias durante cerca de uma hora ou mais.

Se tiver um comando remoto com intervalómetro – ou se a sua máquina já tiver um – tanto melhor, pois poderá esperar que a câmara (ou comando) trabalhe para si, enquanto espera dentro do carro, por exemplo. Uma vez em casa necessita de recorrer a um programa para juntar todas as fotos e obter uma imagem como esta – encontrará vários gratuitos na Internet. Pode pesquisar por ‘star stacking’.

Fagulhas de lã de aço
Tenha muito cuidado com esta técnica – pode ser um pouco perigosa se feita de forma errada. Obviamente, necessitará de lã de aço, um grampo, corda e um isqueiro. E um amigo voluntário. Coloque um bocado da lã no grampo e ate este a uma corda com pelo menos um metro de comprimento. Com a sua câmara no tripé, defina uma abertura de f/16 e cerca de dez segundos de exposição.

Posicione-se a uns bons 20 metros, ou mais do seu amigo. Peça a este para acender a lã e começar a rodar a mesma. Enquanto a lã roda, as faíscas que emite criam este efeito. Poderá ter que variar o tempo de exposição. Certifique-se de que tem por perto água (num balde, por exemplo) para esfriar rapidamente a lã e o grampo.

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