Talasnal – Montanhas de Amor, com Fuji e Olympus

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Hugo Pinho

"Viajar, descobrir novos locais e culturas é um prazer inigualável. E com o passar dos anos vou-me apercebendo das mudanças rápidas que vão acontecendo neste mundo. Seja ao nível da paisagem urbana que se vai modificando a um ritmo acelerado, seja pelas pessoas nascem e as que partem, culturas e tradições em risco de desaparecer. E se for possível registar tudo isso para memória futura, é mais do que algo que se encontra ao nosso alcance, é quase uma obrigação. Sou o Hugo, fotógrafo documental."

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Talasnal é umas das várias Aldeias de Xisto existentes da Serra da Lousã. Situada numa encosta, as ruas estreitas e inclinadas constituem um labirinto por entre as casas que se encontram impecavelmente reconstruídas. São poucas as que ainda não foram recuperadas, tendo sido a grande maioria intervencionada, respeitando a traça original mas com as comodidades requeridas pelos tempos modernos.

Logo nos primeiros instantes percebe-se que os habitantes originais há muito partiram e todas estas casas funcionam como alojamento local, comércio de produtos tradicionais ou restaurante/bar. E apesar do frio são vários os visitantes que aos poucos vão chegando para passar uma tarde tranquila, para respirar o ar da serra e visitar a aldeia.

O uso do xisto cria uma austera mas bela homogeneidade. A pedra de xisto das paredes, a madeira das portas e janelas e o barro vermelho das telhas: são os únicos materiais de construção visíveis pelo exterior. Estes tons quentes da cor da terra convidam a pegar na câmara e fotografar.

Comigo trouxe dois equipamentos, que com características aparentemente semelhantes, são nas verdade bastante diferentes. Ambas são câmaras “mirrorless” e equipadas com uma objectiva de distância focal fixa equivalente a 50mm.

Fujifilm X-E3 / XF 35mm f/1.4
Já utilizo o sistema X da Fujifilm há alguns anos. Primeiro com a X-Pro1 e, mais recentemente, a X-E3. Estas belíssimas câmaras aliam um design retro com as funções modernas de uma câmara digital. O tempo do obturador é regulado através do selector de velocidades e o diafragma da objectiva pelo anel de aberturas, tal e qual como nas antigas câmaras analógicas. É claro, tudo isto pode ser totalmente automatizado ou então usado o programa semi-automático de prioridade à abertura ou à velocidade.

Este conjunto posso comparar a um daqueles carros que se compram mais pela emoção do que pela razão. Já a anterior X-Pro1 não era isenta de problemas e esta X-E3 também não é perfeita. Os vários comandos não oferecem todos o mesmo nível de resistência ao tacto. Enquanto que as rodas selectoras frontal e traseira facilmente giram ao mais pequeno toque, mesmo inadvertidamente, já o botão de ligar/desligar a câmara requer o uso de força como nunca tinha visto em qualquer câmara anterior. Quanto à pequena XF 35mm f/1.4, com uma distância focal equivalente a 50mm (mais precisamente 52.5mm devido ao factor de multiplicação 1.5x do sensor APS-C), foi uma das primeiras objectivas a ser lançada para o sistema X da Fuji, juntamente com a 18mm f/2.0 e a 60mm f/2.4 em 2012. E sempre foi conhecida pela focagem lenta e ruidosa.

Contudo, este compacto conjunto é um verdadeiro prazer de utilizar! Pequeno e leve, o aspecto exterior simples não denuncia todo o potencial que tem. A XF35 é uma das melhores objectivas que já utilizei, com uma definição extraordinária. E em termos de qualidade de imagem, os sensores utilizados pela Fuji fazem jus à sua fama. Para quem pretender utilizar o Jpeg directamente saído da câmara sem fazer qualquer edição do Raw, bastará escolher uma das várias simulação de filme e obterá resultados impactantes, prontos para imprimir ou publicar nas redes sociais.

Olympus OMD E-M5 Mark II, m.Zuiko 25mm f/1.2
Apesar das semelhanças: câmara mirrorless com um apeto retro e objectiva equivalente a 50mm, esta pequena Olympus nada tem em comum com a Fuji.

Comecei a utilizar Olympus mais recentemente e apesar de ter um sistema de botões e menus totalmente diferentes de tudo o que usei no passado, bastou um dia e algumas visitas ao manual de instruções para que tudo funcionasse como pretendo. Contrariamente ao caso anterior, a Olympus é uma câmara que se compra pela razão. Trata-se de uma belíssima obra de engenharia, constituída por um sólido bloco de metal que transmite solidez ao toque. Tudo está firmemente montado, com botões e selectores a responderem prontamente, num perfeito equilíbrio entre a suavidade de utilização e uma firmeza suficiente para que nada se faça sem intenção.

Se a anterior Fuji XF35mm é uma das melhores objectivas que utilizei, esta Olympus m.Zuiko 25mm Pro é sem dúvida a melhor. Com uma construção totalmente metálica, salta à vista o generoso elemento frontal com um diâmetro de filtro de 62mm, necessário para obter a extraordinária abertura de f/1.2.

Reconhecidas pela sua resistência aos elementos atmosféricos (chuva, pó, gelo), as câmaras Olympus ganharam fama de robustas. E este conjunto E-M5 II com a 25mm f/1.2 Pro não é diferente das restantes, transmitindo uma sensação de solidez extraordinária nas mãos.

Avançando os elogios, tem algum aspecto menos bom? Pode dizer-se que sim. Não é propriamente um defeito, mas uma característica. A Olympus utiliza em todos os seus modelos mirrorless a tecnologia de sensores Micro-Quatro-Terços (M4/3) que, com um factor de multiplicação 2x, são mais pequenos que os APS-C. Como resultado oferecem uma resolução mais baixa que os APS-C e Full-frame, uma menor gama-dinâmica e principalmente um desempenho inferior em ISOs elevados. Se no papel as diferenças dos vários parâmetros de performance do sensor M4/3 para os restantes são significativas, na prática e numa utilização real quase não se fazem sentir.

Voltando ao Talasnal, passeando pelas suas ruas estreitas e inclinadas, é hora de fotografar.

Trouxe as duas câmaras equipadas com uma objectiva de distância focal equivalente a 50mm (35mm*1.5 na Fuji e 25mm*2 na Olympus) para efeitos de comparação. A Fuji já a conheço bem e servirá de referência para medir o comportamento da mais recente, a Olympus.

Com esta distância focal há que pensar na abordagem que será possível fazer. Tinha como plano inicial fotografar os habitantes da aldeia nas suas actividades quotidianas, por isso uma objectiva de 50mm com grande abertura seria perfeita para fazer alguns retratos. Acontece que já não existem habitantes na aldeia, pelo menos os originais. Apenas poderemos encontrar os visitantes e as pessoas que gerem os seus negócios relacionados com o turismo. Há que refazer o plano. Uma grande-angular seria perfeita para fotografar a espantosa arquitectura da aldeia. Mas estando limitado aos 50mm, consigo apenas captar alguns planos mais apertados, por isso resolvi esperar pelo início da noite de forma a fotografar as ruas com os candeeiros acesos.

À medida que os turistas se vão embora ou recolhendo aos seus aposentos, a ténue luz amarelada cria um ambiente misterioso nas ruas solitárias. O cenário perfeito para captar as texturas das paredes de pedra e os contrastes de luz e sombra.

Conclusão
Se o objetivo for encontrar uma localidade remota, com os seus habitantes originais e fazer uma série de retratos das suas gentes e costumes, essa aldeia não é o Talasnal. Na verdade, nem o Talasnal nem qualquer uma das outras que compõem a rede de Aldeias do Xisto. Mas se quiser fazer um retiro, respirar o ar puro da montanha e ficar confortavelmente alojado numa habitação cheia de tradição e charme, não deixe de visitar. É perfeita para uma escapadela de 2 ou 3 dias, passear com toda a tranquilidade pelos diversos trilhos existentes e provar os petiscos locais.

Fuji ou Olympus?
Escolha difícil! Ainda não foi desta que me decidi por usar apenas um dos sistemas. Se por um lado a Olympus é um exemplo de rigor e atenção aos detalhes, recheada de tecnologia e capaz de sobreviver às intempéries, por outro a Fuji é um prazer de utilizar com os seus comandos “analógicos” e produzindo ficheiros extremamente flexíveis e trabalháveis, permitindo recuperar bastante informação quer nas sombras quer nas altas luzes.

Resta-me então continuar a usar as duas em situações diversas até que, inconscientemente, uma delas comece a sair mais vezes à rua. Essa, seja ela qual for, será a tal.

 

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