O fotógrafo das emoções fortes

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Telmo Gil

Telmo Gil é um fotografo residente em Portugal. Especializado na área da fotografia de desporto motorizado, cobertura de eventos motorizados, artigos e fotos comerciais. Outros tipos de desporto, como Motos, Ciclismo, futebol e muitos mais. Gosta da fotografia de paisagem, cobertura de eventos sociais e media. Tem trabalhos publicados em, Speedhunters, Drifted, Autosport Portugal, Topos & Clássicos, jornais nacionais entre outros. É um dos fotógrafos oficiais do campeonato Porsche GT3 Cup Challenge Brasil desde 2012. 2016 foi fotógrafo oficial do Campeonato TCR International Series. Em 2018 tornou-se colaborador da Spacesuit Collections.

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O que fazer quando se têm dois amores? Simplesmente fazer uma canção sobre este dilema, como o fez o Marco Paulo. Ou, então, pode seguir-se o exemplo de Telmo Gil que optou por juntar os dois amores num só. Que é como quem diz, juntar fotografia e desporto automóvel, para se dedicar à fotografia de desporto automóvel.

“Desde muito novo sempre tive um grande fascínio por automóveis, jogos de computador, coleções de carros. Mais tarde conheci um grande amigo que tinha a mesma paixão: fotografia e carros. Daí à primeira ida ao Circuito do Estoril, pouco tempo passou. Cada vez que vou até ao circuito, parece que é como se fosse a primeira vez”, recorda Telmo Gil.

Nikon D700 . 200mm . f/10 . 1/100″ . ISO 640

Claro que nem tudo são acelerações e derrapagens no seu portefólio. Fotografa outros desportos, como o futebol, e também espetáculos e paisagens. Mas são os desportos motorizados que ocupam um lugar de destaque na sua vida. Circuitos, rallyes, motocross e até os próprios carros “em repouso” estão sempre na mira do nosso convidado. Mas haverá sempre uns mais difíceis de fotografar do que outros. Qual o que lhe dá mais trabalho?
“Os rallyes. Tem de ser feito muito trabalho de pesquisa antes da prova, conhecer todas as curvas, todos os recantos e imaginar o que fará o carro quando passar no exato local. É esse o grande truque! Depois disso é enquadrar e tentar capturar toda a essência conjunta de carro, natureza e o muito público que tem por hábito aparecer nestas provas. Um verdadeiro desafio”, explica.

Nikon D2x . 175mm . f/2.8 . 1/1000″ . ISO 160

Ora, o desafio é excitante, já percebemos. E o grau de dificuldade elevado. Até porque o elemento principal da sua fotografia é a definição “muita definição e atenção ao detalhe”. É que a fotografia de desporto vive do movimento e da forma como o captamos. Vai daí, impõe-se a questão: qual a fórmula secreta para o conseguir?
Após alguma insistência, o Telmo lá se decidiu a partilhar o “segredo” connosco: “Mão firme, jogo entre velocidade de obturação, abertura e ISO (este último de alguma importância, para que se obtenha mais alguma definição e função da abertura usada). É fundamental seguir o objeto principal à mesma velocidade e não parar de o fazer imediatamente após o disparo, pois irá fazer com que o objeto, aquando da utilização de velocidades muito baixas, não fique com a nitidez necessária”.

Mas esperem que há mais: “Numa situação de velocidades de obturação abaixo de 1/60 (sim, são possíveis fotos nítidas mesmo com velocidades de 1/15 – 1/30 e até menos), deve-se utilizar a opção na máquina de disparo contínuo e efetuar três ou mais disparos seguidos. Como a velocidade de obturação é tão baixa o risco de ‘tremer’ ou fazer movimentos involuntários é muito maior, fazendo com que a foto não seja conseguida com a nitidez pretendida”.
Claro que tudo isto implica bastante treino. O fotógrafo aconselha, por isso, que se passem umas horitas a praticar da janela de casa, isto se tiverem vista para uma estrada ou rua com movimento. Caso contrário, a sugestão é que saiam de casa e vão para a rua, fotografar os carros que passam.

Nikon D700 . 70mm . f/22 . 1/10″ . ISO 100

“Atenção que uma foto com movimento (vulgarmente chamada de panning) a um carro é muito diferente e mais fácil de conseguir, do que a um animal ou pessoa, visto estes terem muito mais zonas que se movimentam em várias direções e/ou sentidos, enquanto um carro o pouco que se mexe serão as rodas ou uma mudança brusca de direção”, esclarece o nosso convidado.

Fala a voz da experiência. Isto porque, apesar de fazer da fotografia um hobby que tenta encaixar ali entre o trabalho e os estudos, o Telmo Gil é presença assídua na imprensa local, colaborando com jornais como o Região de Leiria e o Alto Alentejo. De vez em quando, também faz uma “perninha” para sítios internacionais especializados em conteúdo de desporto motorizado, como Drifted e Speedhunters.

Nikon D200 . 102mm . f/4 . 1/250″ . ISO 100

Voltando aos carros, quem gosta de os fotografar tem por hábito fazê-lo de todas as formas e feitios. Uma delas é através do chamado car-rig: “Tenho alguma experiência nesse campo. Possuo um que tenho vindo a aperfeiçoar conforme as debilidades que vou identificando com o uso do mesmo”.

A sua construção foi feita com base em pesquisas na Internet, vídeos, fotos e conversas com fotógrafos estrangeiros: “Poucos são aqueles que têm um car-rig igual ao do ‘vizinho’. Nenhum é igual, o material varia muito, bem como a técnica usada. O conselho que posso dar a quem queira começar é, façam muita pesquisa e adotem aquele com a qual se sintam mais à vontade. A escolha dos materiais deve recair sobre matéria-prima bastante leve mas com rigidez, por exemplo alumínio, carbono”.

Percebe-se que o Telmo Gil é uma pessoa que gosta de aprender com quem sabe. Foi assim que aconteceu aquando da sua entrada, no mundo da fotografia: “Tudo começou no ano de 2007, quando decidi comprar a minha primeira dSLR, uma Nikon D70. Conheci uma pessoa que até aos dias de hoje o considero o meu tutor na área da fotografia, João Horta. Foi com ele que aprendi muito do que sei hoje, o resto surgiu da pesquisa e muitas experiências no terreno”.

Nikon D700 . 125mm . f/2.8 . 1/640″ . ISO 400

Na opinião do nosso convidado o terreno é a melhor sala de aulas. É aí que se melhoram os resultados, praticando muito. “Olhar para um livro, ou um monitor não serve de muito. Digo isto, pois ao chegarmos ao terreno nada do que lemos é literalmente verdade, tudo parece sair mal. A luz nem sempre está bem, o lugar não aparece como idealizamos nem o material se comporta como gostaríamos. O meu conselho é praticar muito, mas sempre que possível ter alguém no terreno com quem partilhar a experiência. Terão uma evolução mais rápida e com menos desilusões”, defende Telmo Gil.

Mas claro que, por muito completa que seja a aprendizagem, nada se faz sem um gosto pela arte. Que por vezes começa bem cedo: “Nem sei bem explicar a origem da paixão pelo registo do momento. Desde muito novo imaginava-me a ‘preservar’ o momento, fosse ele paisagem, desporto entre outros. Nada definido na altura”.

E depois as revistas, essas malvadas, deram o empurrãozinho decisivo: “Muito assíduo da revista National Geographic, muita revista com o tema Espaço, sendo esta última uma grande paixão. Os planetas, todas aquelas cores e efeitos me fascinam ainda nos dias de hoje. E claro, as revistas de carros eram uma presença constante assim como os jornais desportivos, em que olhava mais para as fotografias do que para o texto em si, que muitas das vezes pouco ou nada falam do momento capturado”.

Nikon D700 . 17mm . f/16 . 15″ . ISO 250

E depois disso é só arranjar alguém para oferecer a primeira câmara. “Já lá vão muitos anos, decorria o ano de 1989 quando os meus pais me ofereceram, pelo meu aniversário, uma máquina fotográfica – nem me lembro, modelo ou marca –, que apenas tinha o botão de disparo e passar para a foto seguinte. Bons tempos esses…”, lembra o fotógrafo.

Desde aí muita coisa mudou. Entre elas, o próprio equipamento: “De há um ano a esta parte, que mudei para full-frame. É um mundo totalmente novo, tudo muda e cada vez estou mais apaixonado. Sempre tive equipamento Nikon e não porque não goste de Canon. Na entrada para o mundo das dSLR tive a hipótese de optar entre uma Nikon D70 e uma Canon 350d. Veio a Nikon e devo dizer que ainda bem”.

Nikon D700 . 135mm . f/2.8 . 1/640″ . ISO 200

Agora é tempo de um desafio. Enfie lá a mão no saco de fotografia e tire a peça que mais lhe agrada. E explique porquê: “Sem dúvida que é a AF-S Nikkor 70-200mm f/2.8 G VR, que tanto adoro…é a minha mais que tudo. A sua rapidez de focagem aliada a uma definição e cores soberbas, fazem com que obtenha a foto que realmente imaginei”.

Então e a edição? Usa muito, pouco, assim-assim? “Uso o suficiente para redimensionamento e conversão de RAW para JPEG. Utilizo nomeadamente o Lightroom, aliado a alguns plugins que me permitem essencialmente fazer tudo o que quero sem sair do Lightroom, seja HDR, redimensionamento e introdução de marca de água ou mesmo uma edição preto e branco ou dar um toque vintage”, explica.

Mas o Telmo faz questão de salientar que usa a edição moderadamente: “Até porque procuro sempre obter as cores o mais idêntico ao que vi no local. Para tal utilizo uma técnica de seu nome ‘UniWB’, que permite, através de uma leitura do cartão cinza – whibal, Kodac card 18% – e de uma foto em específico, obter as cores mais reais”.

Nikon D700 . 300mm . f/4 . 1/250″ . ISO 6400

E, como é óbvio, guarda-se a pergunta mais complicada para o final. Vá, fazemos de conta que sou um milionário excêntrico e quero oferecer-lhe uma de duas coisas. Mas só uma, ouviu!? O que escolhia? Um carro topo de gama? Ou um equipamento topo de gama?
O nosso convidado ainda hesitou: “Sem dúvida uma escolha complicada, pois ambos são coisas que me fascinam”.
Mas lá se decidiu: “Acabaria por escolher o equipamento topo de gama. O carro seria sempre o mesmo, a imagem que iria retirar dele pouco ou nada mudava com os dias. Com o equipamento fotográfico, iria ter muito mais vida. Novos mundos, novas cores e registos do que tanto gosto… o desporto automóvel”.

Nikon D700 . 32mm . f/16 . 25″ . ISO 100

Ao fim do dia…
Como se disse atrás, nem tudo é velocidade e desporto na fotografia de Telmo Gil. Há espaço para coisas bem mais calmas e revigorantes, como é o caso da fotografia de paisagem.

“Gosto de registar um bonito pôr do sol, assim como um lugar. Todo um enquadramento cuidado, o silêncio e o cheiro da natureza que tento transmitir através de uma fotografia. Também porque a própria paisagem aparece em fotografias de desporto, a junção dos dois mundos para mim é a perfeição”, explica o fotógrafo. O resultado desta combinação entre velocidade e paisagens é, por vezes, surpreendente. Como é o caso desta fotografia, por sinal uma das favoritas de Telmo Gil.

Nikon D700 . 200mm . f/2.8 . 1/60″ . ISO 800

“A ideia de uma foto ao final de dia estava bem presente antes da prova começar. Após várias fotos e com a dificuldade acrescida dos faróis cegarem a focagem da máquina a foto saiu. Lightroom aberto e fui direto ao plugin Silver Efex Pro para edição de preto e branco (da minha inteira eleição). Mal comecei a editar vi logo que se iria tornar numa das minhas fotos preferidas”, lembra o nosso convidado.


Equipamento:

Nikon D700
AF-S Nikkor 70-200mm f/2.8 G VR
AF Nikkor 85mm f/1.8 D
AF Nikkor 24mm f/2.8 D
Sigma 14mm f/2.8 EX Aspherical HSM
Tokina AT-X 300mm f/2.8 AF Pro
Flash Nikon Speedlight SB-900

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