A maravilhosa luz da manhã

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Maurício Reis

A fotografia faz parte da minha vida desde sempre, mas com mais intensidade desde 1999, quando comprei a minha primeira máquina digital, com menos de um megapixel de resolução. Entretanto passaram 20 anos e a paixão continua a mesma. Ou ainda maior. Se é verdade que gosto de todos os géneros de fotografia, desde o desporto, moda, retrato e de rua, é na paisagem que encontro o meu equilíbrio. Gosto de me levantar cedo, ou de ficar bem para lá depois do sol se pôr, gosto de sentir o vento, os sons, a natureza...

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Nos últimos anos, desde que me dediquei um pouco mais a sério à fotografia – e, neste caso, mais precisamente à fotografia de paisagem -, já assisti a nasceres do dia de todas as “cores e feitios”.

 

Os dias que acordam com sol e céu limpo são, para mim e para a maioria dos fotógrafos de paisagem, os menos apelativos. Sinceramente, prefiro ficar na cama. Os dias cinzentos e tristonhos são, também, pouco interessantes mas, se viver junto ao mar, ou rio, pode sempre fazer umas longas exposições e transformá-las para preto e branco. Já o nevoeiro oferece ao fotógrafo amanheceres misteriosos – felizes aqueles que vivem junto a florestas, ou na serra…

Mas não há nada, mesmo nada, que chegue perto aos dias com nuvens e sol. Quase garantidamente que terá um amanhecer colorido, vibrante. Só tem de conseguir sair da cama…

Fuji X-E3 . Fuji XF14mmF2.8 . f/13 . 0.7″ . ISO 200 (sem filtro Lee Big Stopper)
Fuji X-E3 . Fuji XF14mmF2.8 . f/8 . 120″ . ISO 200 (com filtro Lee Big Stopper)

Há uns dias coloquei, mais uma vez, o despertador para as 6 da manhã. Embora sem certeza absoluta de como ia nascer o dia – quem pode ter, não é? -, tinha uma esperança de que podia ser bom. Mas se não fosse, pelo menos aproveitava para apanhar ar fresco, de sentir o vento, ouvir os pássaros.

Felizmente, tive sorte. Sem destino pensado fui, talvez pela 1127ª vez, até às salinas na Figueira da Foz, mais propriamente para junto do EcoMuseu do Sal (GPS: 40° 6’42.5627”N; 8°49’59.7034”W). A ideia era ir para mais junto da zona “ribeirinha”, já junto ao Rio Mondego, mas como quando cheguei o sol já estava a querer aparecer, decidi que não podia perder mais tempo à procura de um local para fotografar e fiquei logo por ali.

Está vento, um vento que se sente fresco. Os olhos choram. As mãos sofrem, mas tenho preguiça de ir ao carro calçar a luvas. Tenho de me manter em movimento e concentrar-me na paisagem para me esquecer de que está um frio de cortar à faca. Mas, para ser sincero, também já tive dias e amanheceres bem piores. Coisas da idade, talvez…

O azul escuro da noite, do fim da noite, começa a ficar cada vez mais claro. E será o tom azulado, cor mais fria, que me irá acompanhar durante os primeiros minutos deste amanhecer. Deste e de quase todos os outros, pois é a cor predominante dos dias que acordam. Já ao final do dia, ao pôr do sol, a cor predominante é o amarelo-alaranjado.

Fuji X-E3 . Fuji XF14mmF2.8 . f/8 . 1/240″ . ISO 200

As nuvens que embelezam o céu vão deixar que o sol as pinte. Estou com sorte, coisa que não tive no sorteio do Euromilhões do dia anterior. Mas não se pode ter tudo, não é?

Tenho de trabalhar depressa, pois estas cores não vão durar muito tempo. Isto de fotografar paisagem tem muito de bom – aliás, quase tudo – mas também tem um lado ingrato: tanto trabalho, tanto planeamento (nem sempre, mas muitas vezes), tanto esforço para uns breves minutos de prazer. Quase como o chocolate…

Conforme o sol sobe, vão surgindo outras cores que se juntam ao azul. São cores já mais quentes, com destaque para o amarelo, o laranja, o rosa e o lilás. Uma sintonia e sinfonia de cores. Parecido com este catálogo de cores da Mãe Natureza só mesmo o livro da Pantone.

As nuvens viajam a uma velocidade interessante no céu. A água do canal à minha frente também está com ondulação. Faço uma primeira exposição para registar todo aquele momento, mas está tudo conjugado para que decida fazer uma longa exposição… que já não faço há muito tempo.

Fuji X-E3 . Fuji XF18-55mm @18mm . f/7.1 . 1/160″ . ISO 200

Componho os elementos no pequeno retângulo da câmara, monto o suporte de filtros e ajusto o contraste da exposição – diferença de valores de exposição entre a luz do céu e do primeiro plano – com a ajuda de um filtro de densidade neutra em gradiente de 3 stops. Para prolongar o tempo de exposição recorro ao Lee Big Stopper, que corta 10 stops de luz. Primo o botão de disparo e sei que agora tenho de aguardar cerca de 2 minutos.

E, nestes dois minutos, aproveito para me cruzar com a natureza, ouvir a água a correr, os pássaros a cantar e a voar, o silêncio, a mota de um madrugador como eu e um carro que chega e parte porque, certamente, se enganou no caminho. As coisas que as manhãs nos oferecem…

Com o sol já mais alto, com velocidades de obturação que me permitem fotografar à mão, arrumo o tripé e tento aproveitar a luz do sol que, embora já alta para determinado tipo de fotografia, ainda é interessante para outro tipo de imagens, menos, digamos, artísticas, mas ainda assim agradáveis. Mas, olhando bem, com a atenção devida, é possível ver que o tom frio da manhã ainda se faz notar. É o tom e o vento, que continua a fazer estragos no nariz, nos olhos e nas mãos. Quem disse que isto era fácil?

Fuji X-E3 . Fuji XF55-200mm @200mm . f/5.6 . 1/850″ . ISO 200

Esta foi também a primeira grande saída para o terreno da minha nova câmara fotográfica, a Fuji X-E3. Pequena, elegante e bonita, eficiente e que me oferece resultados tão bons quanto a irmã maior, a Fuji X-T2. Neste amanhecer foi a minha companheira de trabalho. Pretendia ver se a X-E3 se integrava facilmente na minha forma de trabalhar. E, para ser sincero, não achei que tivesse de ter outro tipo de abordagem, não estranhei nada.

Mas desta minha nova máquina falarei num próximo post. Por aqui deixo algumas das fotografias deste espetacular amanhecer.

Divirtam-se, fotografem muito e usufruam da natureza. E não se esqueçam de a deixar melhor do que quando a encontraram 😉

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