Histograma, a chave para uma exposição perfeita

A fotografia digital introduziu um conjunto de inovações que simplificaram a vida ao fotógrafo. Uma delas foram os histogramas. Quem não os utiliza devidamente e não aproveita o seu potencial está a perder o melhor da festa. Por isso é tempo de aprender umas coisas.

Se é uma daquelas pessoas que até tem umas luzes e já ouviu falar de histogramas, mas não sabe bem o que são, então faça o favor de ir remexer o fundo do baú, à procura do manual de instruções da sua câmara.
Vá lá, não se preocupe que nós esperamos um bocadinho…

Pronto, já está aí? Ótimo! Agora vamos lá abrir uma imagem no LCD da sua câmara e seguir as instruções do livrinho que lhe dizem como exibir o histograma dessa fotografia. É que esta é daquelas coisas que varia conforme o modelo e o fabricante da câmara.

Se fez tudo direitinho vai aparecer-lhe um gráfico que, à primeira vista, não lhe vai dizer grande coisa. Mas quando souber interpretá-lo será a chave para uma exposição perfeita. Isto porque se trata de uma representação gráfica da fotografia, com toda informação sobre a variedade de tons existentes na imagem e qual a percentagem de cada um deles.

A imagem está subexposta, com o gráfico encostado à esquerda. Como descobrirá, é mais difícil perder detalhe nas sombras do que nas altas luzes. Ou seja, a foto está escura, mas não lhe falta qualquer detalhe.
O histograma desta imagem está muito equilibrado. Nenhum detalhe foi perdido em qualquer um dos lados do gráfico. De uma forma simples, este é o desenho gráfico ideal de um histograma.
Aqui temos sobre-exposição, com o gráfico encostado à direita. Ainda era possível recuperar informação das altas luzes, mas se o gráfico estivesse totalmente encostado, seria muito difícil a tarefa.

O histograma deriva da própria imagem e é isso que faz dele uma ferramenta tão importante. É que as medições que faz normalmente antes de apertar o botão – no fotómetro – são apenas uma estimativa da exposição que irá conseguir, feita antes da fotografia ser tirada. Ao contrário do histograma que lhe fornece esses dados a partir da imagem que captou, diretamente do sensor da câmara.

Claro que as coisas boas não ficam por aqui. O histograma trabalha em conjunto com a função de “Alerta de Altas Luzes” que lhe permite perceber quais as partes da fotografia que brilham tanto que perdem o detalhe. E pode observar isto diretamente no LCD da sua câmara.

Ao combinar o histograma com o Alerta de Altas Luzes vai perceber com exatidão o que está bem e está mal na sua fotografia, ao nível da exposição. As áreas sobre-expostas e subexpostas vão ser assinaladas de forma a que até um leigo as perceba.

Claro que parte de nós, os iniciados, confia em demasia nas medições prévias. Mas às vezes o sistema de medição do fotómetro deixa-o ficar mal. Isso acontece porque ele só está preparado para fazer a leitura da luz refletida atrás do sujeito. Ora, isso pode variar, em função do brilho que ele – sujeito – possa ter.

Experimente fotografar duas pessoas ao lado uma da outra: uma vestida de preto, outra de branco. No momento da medição, vai obter uma leitura diferente para cada um deles, apesar da exposição correta ser a mesma para ambos (um valor situado ali entre a leitura de um e outro). Isto acontece porque estão os dois expostos à mesma luz.

Nestes casos, a câmara é obrigada a fazer cálculos e estimativas, empregando diferentes modos de medição, tais como o matricial ou pontual, e recorrendo aos controlos de compensação.

Em boa parte das situações isto será o suficiente para obter uma boa fotografia. Mas, às vezes, a coisa não corre como esperávamos. E é essa margem de erro que nos obriga a recorrer a uma ferramenta mais fidedigna: os histogramas.

Mas o que é exatamente um histograma? Ora bem, o histograma mostra-lhe, graficamente, todos os tons registados pelo sensor da câmara. As áreas mais escuras (sombras) são exibidas à esquerda, enquanto as mais brilhantes (altas luzes) ficam do lado direito, ficando a parte do meio reservada para as zonas cinzentas (meios tons). Há ainda uma escala vertical que lhe mostra a quantidade de área da imagem que cada tom ocupa.

Um dado importante a reter: o histograma é gerado a partir de um ficheiro “.JPEG”. Mesmo que fotografe em RAW, a informação exibida tem sempre por base um pequeno “.JPEG” que ficará ligado ao ficheiro RAW.

Isto porque, em rigor, o ficheiro RAW não pode ser visualizado na câmara. Basicamente, trata-se de um amontoado de dados digitais que só podem ser devidamente visualizados através de um programa informático.

Mas o facto de se tratar de um “.JPEG” não tem influência (ou quase) no resultado final. O importante é concentrar-se num dado específico: as definições de contraste. Localizadas nos controlos de “Picture Style”, elas comprimem e esticam ligeiramente o gráfico do histograma.

E como ler o gráfico? Antes de mais deve perceber que o histograma não tem uma forma perfeita. Isto porque tudo depende do sujeito da fotografia: não pode ser movido para um lado ou para o outro e a sua forma não pode ser mudada.

Na verdade, a chave de uma exposição correta depende da forma como conseguirmos fazer com que os tons de todos os elementos da fotografia tenham uma posição correta no gráfico. E isso só se consegue com alguma prática e uma boa dose de experimentação, tentativa, erro, nova tentativa. Mas vamos ver se as nossas dicas aceleram o processo…

Tomemos o exemplo de uma fotografia onde os elementos predominantes sejam escuros. No caso, um gato preto num sótão. Neste cenário, o gráfico apresentará áreas muito preenchidas do lado esquerdo mas nada do outro lado.

De igual modo, se o sujeito for um husky siberiano daqueles branquinhos, a passear na neve, o gráfico atingirá os pontos mais elevados à direita. Já se for ao zoológico e fotografar, sei lá, um elefante sobre um campo verdejante, aí serão os níveis do meio que vão levar um salto.

São exemplos de três tipos de exposição correta. E isto é visível uma vez que os tons do sujeito estão devidamente posicionados no gráfico. Mas esta é a parte simples. O complicado vem a seguir.

Então e se baralhássemos as coisas e fechássemos o husky no sótão. Mas não junto com o gato. Aí teríamos semelhante confusão que ainda acabávamos com câmara e tripé no chão. OK, temos um husky branquinho num sótão escuro. Qual é o resultado no histograma? Níveis altos à direita, mais altos ainda à esquerda e, no meio, nada.

Claro que nem tudo é assim tão linear. A maior parte das cenas que o leitor fotografa inclui uma grande variedade de tons, que vão desde os brancos brilhantes até às sombras escuras. Com o tempo – e a experiência – será capaz de identificar os tons chave do sujeito e relacioná-los com a sua respetiva posição no gráfico. É esse o caminho para a exposição correta.

E, para isso, um dos melhores “campos de treino” são os verdes. Em termos de exposição, eles estão normalmente próximos do cinzento médio, pelo que devem andar aí pelo meio do gráfico. Igualmente ótimos para apurar a técnica são a alvenaria e o alcatrão. Sempre que o seu sujeito tiver tons dentro desta gama, irá deparar-se com um “alto” no meio do histograma.

Experimente também o tom da pele. É outro bom ponto de referência, mas por ser mais claro deve situar-se aí a uns dois terços no lado direito do gráfico.

E depois de estar familiarizado com esta coisa dos tons, é tempo de começar a ajustar a exposição. Verifique o histograma, compare-o com a cena e, se os bits luminosos e escuros não estiverem onde deviam, pode fazer uma de duas coisas.

Aumentar a exposição, o que fará mover os níveis para a direita do gráfico. Ou diminui-la, o que irá subir os níveis do lado esquerdo. É questão de ir fazendo os ajustamentos necessários, tirar nova fotografia e verificar se os tons estão devidamente distribuídos.

Enfim, tudo dentro da lógica zOOm: “experimente e divirta-se”.

Cuidado com as Altas Luzes
Conhecidos como “blinkies” pela forma como certos pixels brilham ou se apagam numa fotografia, este fenómeno revela as áreas que se situam no extremo direito do gráfico.

Mostram-lhe com exatidão quais as partes do sujeito que estão sobre-expostas e estoiradas. Ora, a sobre-exposição é a morte do artista! Uma vez “estoirado” o sujeito, a fotografia está arruinada e não tem salvação possível.

E mesmo quando a exposição estiver correta, há sempre o risco de apanharmos “blinkies” a piscar algures na imagem. É o caso das áreas do céu, ou reflexos brilhantes de uma pintura, ou mesmo quando o sol incide diretamente sobre roupas brancas.

É um fenómeno inevitável, visto que o brilho extremo é areia demais para a camioneta do sensor. O alcance dinâmico é tão vasto que teremos de aprender a viver com os tais “blinkies”. E, claro, ter atenção redobrada às áreas mais propensas a eles, em especial os tons de pele que, em regra, tendem a descair para o lado mais à direita do gráfico.

Exposição à direita
Para quem está mesmo determinado em conseguir uma imagem com o maior detalhe de profundidade possível e o menor ruído, a solução ideal será o uso da técnica de Exposição à Direita.

Esta técnica que consiste, de uma forma muito básica, em puxar os limites mais para o lado direito do histograma. Ou seja, obter a exposição mais clara possível sem, contudo, estoirar as altas luzes.

Desse modo, regista os tons de forma mais brilhante do que são na realidade. Posteriormente, na fase de edição, serão feitos os devidos acertos. Não esqueça é que terá sempre de fotografar em RAW.

Uma imagem tirada recorrendo à técnica de expôr para a direita. Demasiado clara, quase sem contraste, mas ainda com possibilidade de recuperação de todo o detalhe nas altas luzes.
E agora a mesma imagem editada no computador. Foi escurecida (baixou-se a exposição), ou melhor, ajustou-se o contraste até que tivesse um aspeto mais natural.

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