Aprenda a fazer fotografias panorâmicas

O conceito é simples: captar fotografias com um campo visual alongado. Tão alongado que se estica muito para lá dos limites da própria câmara. E dos limites do olho humano, também.

Como? Fotografando uma sequência de imagens, que serão depois “coladas” umas a seguir às outras, usando um software próprio para o efeito. Ou seja, fotografar o nosso campo visual, aos bocadinhos, e depois juntar as fotos como se fossem peças de um puzzle.

O resultado é uma imagem de grandes dimensões, tão grandes que podem chegar aos famosos 360 graus. Claro que na prática tudo é mais complicado. Mas só um bocadinho. Nada que não se consiga ultrapassar com algum trabalho, boas ferramentas informáticas e, claro, umas quantas dicas que lhe vamos ensinar nas páginas seguintes.

Comece então por anotar o material de que vai precisar: uma câmara, pois claro; um tripé, porque vai rodar a câmara ao captar a sequência de imagens. Ah e não se esqueça que o tripé deve ter um nível. Caso contrário deverá comprar um. Sim, porque na fotografia panorâmica basta haver uma pequeníssima variação numa só imagem dar cabo do trabalho.

Se a ideia é fotografar várias vezes a mesma cena, rodando progressivamente a câmara para a sua direita – os especialistas recomendam uma rotação no sentido dos ponteiros do relógio – um desvio da câmara para cima, ou para baixo, pode obrigá-lo a horas e horas em frente ao computador, a tentar corrigir o problema. Isto quando a foto não está irremediavelmente perdida.

E quem diz variações de nível, diz outra coisa qualquer. Na cidade, por exemplo, com tanta coisa sempre em movimento, é o cabo dos trabalhos para captar uma boa imagem panorâmica. Um carro que anda mais do que devia, uma pessoa que teima em atrapalhar.

Ah e claro, o vento. Que pode arrastar objectos, folhas, lixo e sabe-se lá mais o quê para o nosso campo visual. Idem aspas para a luminosidade e para as nuvens.

O ideal, dizem os especialistas, é ir experimentando. Fotografar a ver no que dá. Claro que a paciência também ajuda. Sem esquecer, naturalmente, o instinto predador do fotógrafo. Que é como quem diz: esperar serenamente até que o clima, o trânsito ou qualquer um desses elementos externos acalmem.

Focagem e exposição automática, não obrigado!

A grande vantagem da tecnologia é poupar-nos trabalho. No mundo da fotografia digital essa é uma das verdades universais. Ao ponto de tornar a fotografia, aparentemente, acessível até mesmo aos principiantes.

Mas se quer mesmo captar uma imagem panorâmica como deve de ser, esqueça os automatismos. São óptimos para as fotos de férias ou para o jantar de despedida daquele colega de trabalho. Mas não para as panorâmicas.

O que significa que vai ter de desativar a focagem e o modo de exposição automáticos. Mas vamos por partes: a focagem manual é necessária porque obviamente vamos precisar que o foco (bem como a distância focal) se mantenha inalterado enquanto tiramos as várias fotografias.

Quanto ao modo de exposição, é fundamental que não fotografe em modo automático, uma vez que a densidade da imagem irá variar entre um e outro disparo da câmara.

Para evitar este tipo de variações, recomendamos que aponte a câmara para uma parte da cena a fotografar que não seja nem muito iluminada, nem muito escura, e tire umas quantas fotografias de teste.

Quando a exposição lhe parecer a mais adequada (saber ler o histograma ajuda bastante), mude para o modo manual e regule a câmara para a exposição indicada para essa zona. Deverá depois manter essa exposição durante toda a sequência de imagens a captar.

Se houver contraste de luzes isso poderá eventualmente implicar que algumas partes da sua foto panorâmica fiquem subexpostas, ou então sobreexpostas. Mas vale a pena, pois a consistência da exposição vai garantir uma fotografia panorâmica de qualidade.

Agora uma dica importante: cada fotografia deverá sobrepor-se em pelo menos 30 por cento uma à outra. Isto dar-lhe-á alguma margem para corrigir eventuais falhas, quando estiver a compor a imagem no computador.

Dicas
Evite o uso de polarizador quando fotografar sequências de imagens para juntar. A polarização vai variar de foto para foto e acabará com um efeito estranho no céu.

O Balanço de Brancos automático também não é aconselhável, já que cada imagem poderá ser guardada de forma diferente da anterior sempre que mova a câmara. Assim, se ainda estiver de dia, altere para ‘Daylight’ (Luz de dia), por exemplo. Se for de noite, pode continuar a manter em ‘Daylight’ ou mudar para ‘Tungsten’ (Tungsténio). A ideia é ser o fotógrafo a escolher o balanço de brancos e não a máquina.

O Photoshop… e os outros
Se o software é o melhor amigo da fotografia digital, então no caso da fotografia panorâmica eles são mesmo os melhores amigos. Actualmente existem programas que nos facilitam de tal maneira a tarefa, que basta descarregar as fotos e deixar que o software se encarregue de as ordenar, colar e dar os últimos retoques.

De entre os inúmeros programas de fotografia panorâmica disponíveis no mercado, o nosso destaque vai para o PTGui, o Panorama Maker e o Photoshop. Este último será seguramente o mais usado. Ou, pelo menos, o preferido dos fotógrafos. Se usa o Lightroom para editar as suas fotos, então saiba que este também permite criar panorâmicas sem ter de recorrer a qualquer ajuda externa.

O Photoshop (tal como o seu irmão Lightroom) é particularmente eficaz, na hora de juntar as fotografias, de forma automática. Mas a grande vantagem está na facilidade de o manusear.

Basta clicar em ‘File’ > ‘Automate’ > ‘Photomerge’, em seguida surge uma janela onde teremos de escolher as imagens necessárias para fazer a nossa “panorâmica”. Depois disso, só falta o clique no OK e esperar que o Photoshop conclua o trabalho.

Porque o saber não ocupa lugar: o irritante erro de paralaxe
Na fotografia panorâmica, existe o chamado Erro de Paralaxe. É o problema técnico mais comum nesta área e acontece quando, ao rodarmos a câmara, entre um e outro disparo, o alinhamento de um ou mais elementos da cena sofre alteração.

O pior de tudo é que, normalmente, só damos conta do erro quando estamos em frente ao computador e percebemos que as fotografias não se alinham na perfeição, quando tentamos juntá-las.

Uma das soluções é deixar uma certa margem, em cada fotografia, de modo a deixar que o software tenha espaço para corrigir as falhas. Para que isso aconteça, idealmente, cada foto deverá sobrepor-se uma à outra em, pelo menos, 30 por cento.

Mas não resolve totalmente o problema. Para isso há que recorrer a uma solução preventiva, que evita os erros de paralaxe: o chamado centro óptico, muitas vezes também referido – erradamente, ou não – como ponto nodal.
É definido como ponto de retorno óptimo da câmara, ou seja, o ponto de interseção entre os eixos ópticos e a superfície principal do objecto. Sempre que um raio de luz atinge o ponto nodal lateral da imagem de determinado ângulo, o raio de luz vai sair do ponto nodal sob o mesmo ângulo.

Para contornar o erro de paralaxe, a câmara terá de rodar sempre em torno do seu centro óptico. É, por isso, recomendável – mas não obrigatória – a utilização de um equipamento próprio, chamado suporte nodal, que lhe permite ajustar a posição da câmara, em relação à cabeça do tripé.

Ao fotografar a panorâmica, em vez de rodar a câmara a partir da sua base – normalmente, assente no tripé – irá definir o centro óptico e rodá-la em torno desse ponto.

Deverá também definir o centro óptico para a objetiva a utilizar. O procedimento é simples: coloque dois objectos sensivelmente a um metro um do outro (por exemplo, dois lápis de cor, colados a uma mesa, de modo a ficarem na vertical).

Em seguida, deve nivelar a câmara como se fosse para fazer uma sequência de fotografias e posicioná-la de modo a que os objectos estejam perfeitamente alinhados. Em seguida, fotografe os objectos no centro da imagem, vire a câmara para a esquerda e tire outra fotografia, depois vire à direita e tire nova foto.

Caso o objecto de trás aparentar ter-se movido ligeiramente para a esquerda quando rodou a câmara para a esquerda – e para a direita quando rodou a câmara para o lado direito –, isso quer dizer que o suporte nodal está demasiado recuado.

No entanto, se o objecto parecer ter-se movido para a direita quando rodou a câmara para a esquerda – e para a esquerda quando rodou a câmara para a direita –, isso indicará que o suporte está muito para a frente.
Em função do resultado obtido, deverá posicionar a câmara no suporte nodal e repetir o procedimento até que os objectos permaneçam perfeitamente alinhados. Uma vez encontrado o centro óptico para a lente específica, marque a posição no suporte.

Felizmente, os programas atuais são tão inteligentes que, para o comum dos fotógrafos, esta explicação seja mais para perceber do que para fazer. Não perca mais tempo e aproveite para seguir o nosso guia passo a passo e… divirta-se!


Panorâmicas passo a passo
Explicamos-lhe tudo o que deve saber para começar a fazer imagens panorâmicas de forma simples. Ese fizer tudo direitinho, vai ser fácil ficar com fotografias espetaculares.

1 Monte a sua câmara, idealmente na posição vertical, num tripé. Verifique que a base deste está nivelada, para que quando rodar a câmara entre disparos esta se mantenha ao mesmo nível. Olhe à sua volta para decidir onde quer começar e acabar.

2 Tire uma fotografia de teste a partir de uma área de luminosidade média de uma cena – não a mais luminosa ou a mais escura. Se possível analise o histograma para ver se está equilibrado. Mude a câmara para exposição manual e coloque os valores de abertura e velocidade que obteve na foto de teste. Desta forma garante a mesma exposição para cada uma das imagens que vão compor a panorâmica.

3 Rode a câmara para o ponto mais à esquerda da cena que quer registar. Faça a focagem manualmente (aproveite e depois passe o foco para manual) e tire uma fotografia à sua mão esquerda com os dedos a apontar para a direita. Porquê? Com isto saberá onde começa a sequência, evitando qualquer confusão na hora de iniciar a “colagem” das imagens.

4 Agora tire a primeira foto da sequência. Depois mova a câmara ligeiramente para a direita e nova fotografia. Repita este processo até chegar à última parte da cena a registar. Mais uma vez, certifique-se que sobrepõe cada imagem em 30-40%, facilitando o trabalho do programa que escolher para criar a panorâmica.

5 Por fim, tire uma foto da sua mão direita com os dedos a apontarem para a esquerda, como que a sinalizar o término da sequência. Quando descarregar os ficheiros para o computador, saberá que as imagens entre as duas mãos fazem parte do mesmo conjunto.

6 Se, por norma, fotografa em RAW, processe os ficheiros que compõem a cena de forma a terem os mesmos ajustes e correções, caso contrário obterá um resultado inconsistente. Coloque os ficheiros (JPG ou TIFF), que servirão para a panorâmica, juntos numa mesma pasta.

7 Abra o Photoshop e vá ao menu ‘File’ > ‘Automate’ > ‘Photomerge’. Seleccione o tipo de panorâmica que pretende. ‘Auto’, por norma funciona bastante bem. Depois resta-lhe selecionar a abrir os ficheiros, através dos botões ‘Folders’ e ‘Browse’.

8 Selecionadas as imagens, clique em ‘OK’. Como que por magia o programa começa o trabalho por si. Obviamente que o processo de “construção” poderá levar alguns minutos. Tudo depende do tamanho das imagens, da velocidade do computador, entre outros factores. Se vir que está para durar, aproveite para beber um café.

9 E, se não se enganou em nenhum passo, tem finalmente a sua panorâmica. Terá apenas de a cortar de forma a evitar os cantos irregulares. Isto será comum se não usar um suporte nodal de forma a evitar o erro de paralaxe (ver caixa da página anterior). Mas nada com que tenha com que se preocupar muito, já que os programas gerem muito bem este “problema”.

10 Depois junte as camadas (‘Layer’ > ‘Flatten Image’) e grave a sua panorâmica. A seguir edite-a a gosto: contraste, níveis, curvas, enfim, o que achar melhor. E pronto, o trabalho está pronto e a sua foto vai ser, garantidamente, um sucesso!

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