Cromeleque Almendres, Évora

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Sérgio Conceição

“Iniciei o meu percurso fotográfico quando tinha 16 anos e me inscrevi num curso de Comunicação-Social. Desde aí continuei sempre ligado à área, maioritariamente em reportagens de eventos (casamentos e baptizos). A paisagem e o retrato social vieram mais tarde em 2010.”

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Fotografar uma sequência de imagens no mesmo local acaba por ser um desafio que tende a puxar pela criatividade. Neste dia, o local escolhido era Évora.

Fui cedo para lá. Não fotografei logo quando cheguei. Tal como um bom vinho, os locais precisam de respirar, só depois muitas vezes consigo perceber o que quero deles, o que eles têm para me dizer.

O céu estava com alguma nebulosidade, mas com abertas. Perfeito para o que queria fazer, pois permitia-me fotografar paisagem com o céu composto por nuvens e abertas para se visualizarem as estrelas ao anoitecer.

Curioso, no local iam aparecendo turistas e mais turistas e eu após escolher o meu primeiro enquadramento fixei-me naquele local e esperei pela luz certa para fotografar os momentos que queria e eles perguntavam entre si o que se iria ali passar.

Muitas pessoas não absorvem os locais, fazem a típica fotografia e seguem. É necessário perceber o que ali está, o que ali se viveu muitas vezes. Fotografar paisagem sem interiorizar é como fazer retrato e não saber um pouco da história da pessoa.

As coisas não fluem.

Canon EOS R . Canon EF16-35mmF4 @16mm . f/14 . 1/60″ . ISO 200

Nesta imagem é possível visualizar o sol beijando o solo, as cores quentes começam a erguer-se sobre o céu, logo de seguida.

Embora considere que o equipamento não é o mais essencial para fotografar, neste dia fotografei com uma Canon EOS R, que é uma máquina profissional e permite um detalhe extra em alguns pormenores.

Canon EOS R . Canon EF16-35mmF4 @16mm . f/14 . 1/15″ . ISO 200

Uma imagem que aquecia as árvores circundantes, permitindo fotografar um céu alentejano quente, que são as cores típicas do Alentejo ao pôr-do-sol. Na verdade, sempre digo que o Alentejo tem o melhor pôr-do-sol do mundo.

É um cantinho, onde existe muito pouca poluição, comparativamente com as grandes cidades e produz-se por isso um céu mais limpo e com umas cores mais naturais.

Canon EOS R . Canon EF16-35mmF4 @16mm . f/14 . 1/6″ . ISO 200

Uma imagem criada ao crepúsculo náutico, que vive das cores mais azuladas no céu, ainda com um resto de tonalidades rosadas produzidas por um sol já muito baixo.

Os contrastes destas cores produzem uma imagem muito uniforme, unindo-se às árvores circundantes.

Canon EOS R . Canon EF16-35mmF4 @16mm . f/14 . 1/6″ . ISO 200

As nuances no céu basicamente fazem a imagem. Uma imagem mais composta, que brinda perfeitamente com o primeiro plano.

Canon EOS R . Canon EF16-35mmF4 @16mm . f4.0 . 30″ . ISO 1250

Nesta imagem é possível ver um “triângulo amarelo” formado por Betelgeuse, estrela dupla, Aldebaran, estrela dupla e um pouco mais acima de Aldebaran encontra-se o Planeta Marte.

Canon EOS R . Canon EF16-35mmF4 @16mm . f4.0 . 30″ . ISO 1250
Canon EOS R . Canon EF16-35mmF4 @19mm . f/7.1 . 1/160″ . ISO 400

Nesta imagem pode ver-se um Earthshine lunar. O céu Alentejano compõe-se com uma sequência de Luas a partir do Cromeleque dos Almendres, no Alentejo. Um céu limpo e azulado permite dar destaque à Lua, que foi a protagonista principal.

Canon EOS R . 14mmF1.8 DG HSM @14mm . f/2.0 . 30″ . ISO 1000

As nuvens presentes na imagem serviram de moldura para a Ursa Maior, que apareceu no céu, logo por cima do primeiro plano da imagem.

A natureza é sem dúvida um grande espetáculo e o céu quase sempre um grande actor, que tem a capacidade de encarar várias personagens numa só cena. Neste caso, foi incrível assistir a todas as mudanças de cor, luz, nuvens e reflexos que foram mudando ao longo das horas no mesmo local.

Um pequeno time-lapse mostra algumas mudanças que o céu teve nesse dia:

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