Pagar por Presets?! Crie os seus na sua câmara Fuji

mm

Maurício Reis

A fotografia faz parte da minha vida desde sempre, mas com mais intensidade desde 1999, quando comprei a minha primeira máquina digital, com menos de um megapixel de resolução. Entretanto passaram 20 anos e a paixão continua a mesma. Ou ainda maior. Se é verdade que gosto de todos os géneros de fotografia, desde o desporto, moda, retrato e de rua, é na paisagem que encontro o meu equilíbrio. Gosto de me levantar cedo, ou de ficar bem para lá depois do sol se pôr, gosto de sentir o vento, os sons, a natureza...

Visite o meu Website
Ver todos os Posts

Quase todos os fotógrafos já usaram, pelo menos uma vez, um Preset para alterar o mood ou cores de uma fotografia. A grande maioria dos Presets existentes são criados para serem usados no Lightroom, embora comecem a surgir versões para o Capture One. Há quem faça negócio com o desenvolvimento e venda de Presets, como é possível verificar numa pesquisa rápida no Instagram, ou no Google.

Como seria de esperar, há um pouco de tudo: Presets que são realmente muito bons – mas que custam dinheiro, alguns deles bastante dinheiro -, os que são assim-assim e os que não valem o espaço no disco que ocupam, sendo realmente desinteressantes. Normalmente – há exceções -, quase todos os que são gratuitos têm pouco interesse, estragando mais as fotografias do que embelezam.

Não me vou alongar muito mais na abordagem aos Presets, pois quase todos sabem como funcionam.

Para além do design retro, da qualidade dos ficheiros, uma das coisas que mais me atrai no sistema X da Fuji é a sua “ciência de cor” e as tão reconhecidas simulações de filme.

A Fujifilm tem um longo passado de sucesso ligado ao desenvolvimento de filme. E os engenheiros aproveitaram todo esse know-how para adaptarem as características à realidade do digital. E digamos que o fez com bastante sucesso, pois os clássicos Velvia e Acros estão muito próximos do que eram na era do filme.

Certamente como eu, muitos dos fotógrafos que optaram pelo sistema X da Fuji podem ter sido subliminarmente empurrados graças às simulações de filme que as câmaras oferecem. Pessoalmente, mesmo antes sequer de ter uma Fuji, já era adepto do Classic Chrome, tão bem representado nas fotos de outros utilizadores que ia encontrando pela Internet – especula-se que a Fuji se terá baseado no Kodachrome, ou mesmo o Ektachrome 100SW, para criar a sua versão, dando origem à simulação de filme que conhecemos como Classic Chrome.

Um Preset do Lightroom (ou Capture One) deve ser visto como um ponto de partida e nunca como algo que pode ser aplicado indiscriminadamente a toda e qualquer fotografia pois, dependendo da exposição, da luz e do próprio local fotografado, o resultado final tanto pode ir do muito bom à desgraça completa, arruinando a eventual espetacularidade da foto inicial.

Daí que com este artigo convido o leitor a pensar numa nova abordagem. A pensar e a praticar, mas já lá vou.

Se o sistema X da Fuji nos oferece tão interessantes simulações de filme, qual a razão de substituirmos todas as características de cor da imagem por outras que nos são oferecidas pelos Presets, mas que não nos garantem a mesma homogeneidade?

Sendo verdade que as simulações de filme de origem nos oferecem resultados muito interessantes e consistentes, o que talvez não saiba, ou nunca tenha experimentado, é que pode, a parti deles, criar os seus próprios Presets na câmara, ou posteriormente no Fuji X Raw Studio.

Na câmara tem duas opções: ou define os valores nos vários ‘custom settings’ disponíveis, ou editando as imagens na própria câmara, exportando-as depois para JPG, num processo em tudo idêntico ao que se recorrer ao Raw Studio, conectando a câmara ao computador.

A ideia é, partindo de uma simulação, alterar os valores ‘highlight’, ‘shadow’, ‘color’, ‘grain effect’, entre outros, para obter uma nova receita de cor, um Preset personalizado.

Como já é possível depreender, as possibilidades são assim quase infinitas, mas onde os resultados podem ser mais ou menos satisfatórios, dependendo dos valores modificados, naturalmente.

A seguir deixo algumas sugestões de modificações que pode levar a cabo nas simulações de filme originais, com os respetivos valores que alterei nas definições. Sempre acompanhadas de algumas imagens para ilustrar.

Se deseja construir uma identidade própria para as suas imagens, as simulações de filme das próprias Fuji podem ser uma excelente ajuda. Desta forma, não só tem a garantia das cores Fujifilm, como evita usar Presets gratuitos que não interessam a quase ninguém, ou a gastar dinheiro em Presets que até são bons, mas que apenas funcionam numa ou outra imagem.

E não se esqueça de ao seguir esta sugestão, pode sempre divertir-se e aprender ainda mais sobre o seu equipamento e fotografia em geral. E poder de certa forma garantir que o seu Preset é único!

Presets baseados nas Simulações de Filme
A seguir deixo alguns exemplos que pode usar ou adaptar a gosto. São todos compatíveis com qualquer câmara Fuji com sensor X-Trans III e IV. Alguns podem ser aplicados em câmaras com sensor X-Trans I e II. Mais uma vez, não se esqueça que os valores não são fixos, podendo modificá-los como desejar.

Fuji Chrome 1
Film Simulation: Classic Chrome
Dynamic Range: DR200
Highlight: -1
Shadow: +1
Color: +2
Noise Reduction: -2
Sharpeness: +2
Grain Effect: Weak
White Balance: Auto, +1 Red & -1 Blue
ISO: Auto up to 12800
Exposure Compensation: +⅔

Fotos de exemplo:

Fuji Chrome 2
Film Simulation: Classic Chrome
Dynamic Range: DR200
Highlight: +4
Shadow: -2
Color: +4
Noise Reduction: -3
Sharpeness: +1
Grain Effect: Strong
White Balance: Auto, +2 Red & -4 Blue
ISO: Auto up to 6400
Exposure Compensation: -⅓ a -1

Fotos de exemplo:

Fuji Pro Net
Film Simulation: PRO Neg. Std
Dynamic Range: DR200
Highlight: +1
Shadow: +2
Color: +4
Noise Reduction: -3
Sharpeness: +1
Grain Effect: Strong
White Balance: Auto, -2 Red & -3 Blue
ISO: Auto up to 6400
Exposure Compensation: +2/3

Fotos de exemplo:

Fuji Pro Net 2
Film Simulation: PRO Neg. Std
Dynamic Range: DR200
Highlight: +3
Shadow: +1
Color: -1
Noise Reduction: -3
Sharpeness: +1
Grain Effect: Strong
White Balance: 3200K
ISO: Auto up to 6400
Exposure Compensation: +1/3

Fotos de exemplo:

Fuji Aster
Film Simulation: Astia
Dynamic Range: DR Auto
Highlight: +1
Shadow: +3
Color: +4
Noise Reduction: -3
Sharpeness: +1
Grain Effect: Off
White Balance: Auto, +3 Red & -2 Blue
ISO: Auto up to 6400
Exposure Compensation: +1/3

Fotos de exemplo:

Fuji Block
Film Simulation: Acros/+R/+G
Dynamic Range: DR200
Highlight: +4
Shadow: +3
Noise Reduction: -3
Sharpeness: +1
Grain Effect: Strong
ISO: Auto up to 6400
Exposure Compensation: +1

Fotos de exemplo:

Fuji Prove
Film Simulation: Provia
Dynamic Range: DR100
Highlight: -2
Shadow: +2
Color: -2
Noise Reduction: -3
Sharpeness: 0
Grain Effect: Weak
White Balance: Auto, -1 Red & -3 Blue
ISO: Auto up to 6400
Exposure Compensation: +⅔ (valor variável e que deve ser ajustado no momento da captura)

Fotos de exemplo:

Como fazer
A seguir ficam os passos necessários para poder criar os seus Presets recorrendo ao seu equipamento ou editor de imagens da Fuji. Como certamente já percebeu, algumas das definições não são possíveis guardar nos ‘custom settings’, tendo o leitor de as ajustar no respetivo menu ou botão.

Se optar por customizar o Preset no editor da câmara, ou no X Raw Studio, pode fotografar com as definições que bem entender (apenas deve ter atenção aos valores do Dynamic Range e Exposure Compensation), que depois pode alterar os valores a gosto.

Mas uma das melhores soluções passa mesmo por fotografar diretamente com o Preset configurado, devendo recorrer para isso às Custom Settings, pois pode ver imediatamente no LCD da máquina como ficou a imagem. E se opta por fotografar em RAW+JPG, não só tem imediatamente o JPG com as cores do Preset, como ainda fica com o RAW para poder experimentar outros valores. A escolha final é sempre a do leitor.

Custom settings
Como referi atrás, é uma das melhores opções, pois pode ver imediatamente no ecrã da câmara o resultado do Preset. Não sabe como fazer? Muito simples, aqui fica uma ajuda passo a passo, com imagens do ecrã de uma Fuji X-E3 com a última versão do firmware.

Entre no menu I.Q. da câmara e vá até à última opção ‘Edit/Save Custom Settings’. Selecione um dos que se encontram disponíveis. No nosso caso editámos o ‘Custom 2’.

Para este exemplo configurámos o Preset Fuji Chrome 2 (ver valores a editar acima), alterando respetivamente as opções ‘Dynamic Range’, ‘Film Simulation’, Grain Effect’, etc., como pode ver nas imagens seguintes.

Terminada a introdução dos valores, entre na opção ‘Edit Custom Name’ e dê o nome que desejar – naturalmente demos o novo do Preset. Se fazer mais nada ande um menu para trás, recorrendo ao pequeno joystick ou ao botão para a esquerda. Surge o ecrã para confirmar a gravação das alterações. Selecione ‘Ok’ e já está.

Para ajustar o ‘Shift’ do White Balance, no mesmo menu I.Q. vá até ‘White Balance’ e depois ‘OK’ para ajustar os valores Red e Blue – no nosso caso, 2 e -4, respetivamente. Finalmente Ok para sair.

Pode criar/definir mais Presets nos restantes Custom Settings disponíveis.

Na câmara
Muito simples a edição na câmara. Selecione a imagem a editar, carregue no botão ‘Q’ e tem acesso a um menu com as várias opções onde pode alterar os valores, de forma a criar o seu Preset. Basta entrar em cada um e ajustar os respetivos parâmetros: Film Simulation; Grain Effect; White Balance; etc…

Introduzidos os valores, clique novamente no botão ‘Q’ para a câmara processar o RAW. É então apresentada a imagem final. Se gostar do resultado, clique em ‘OK’ para gravar o respetivo JPG, caso contrário faça ‘Cancel’ e volte a redefinir os valores de cada item.

Fuji X Raw Studio
Comece por copiar os ficheiros do cartão para uma pasta no computador. Conecte a câmara via USB – não se esqueça de ter o firmware atualizado e de em ‘PC CONNECTION MODE’ mudar para ‘USB RAW CONV./BACKUP RESTORE’. Inicie o Fujifilm X Raw Studio e, se tudo correu bem, deve conseguir ver agora, no canto superior esquerda, referência à câmara e versão do firmware.

No painel da esquerda, em ‘Source Image Folder’ navegue até à pasta onde tem as imagens. Um thumbnail de cada uma das fotos surgirá na parte da inferior da janela.

Selecione a imagem a que pretende aplicar um dos ‘Presets’, cujas definições podem ser ajustadas no painel da direita, com os valores que atrás referi, ou com os da sua preferência.

Para este exemplo, vamos aplicar o Preset ‘Prove’.

Por fim, pode gravar este Preset clicando em ‘Save Profile’. Dê um nome e depois pode usá-lo quando bem desejar. Clique em ‘Convert’ e terá a imagem convertida para JPG na pasta dos ficheiros originais.

Antes
Depois

Nota: Importa referir que o valor Dynamic Range deve ser definido na câmara, no momento da captura, pois não é possível alterar no Fuji X Raw Studio.

Subscreva a nossa Newsletter

 

Assine a nossa newsletter e receba as últimas atualizações e novidades da zoom - fotografia prática.




A sua subscrição foi enviada com sucesso.