Um feixe de luz desvia-se ao passar do ar para a água e vice-versa. Este desvio deve-se a uma mudança na velocidade da luz ao passar de um meio transparente para outro e chama-se refracção da luz. Por isso é que quando mergulha um lápis num copo, parece que este se “parte”. Ou, se visto de cima, parece que fica mais pequeno. Desde o século 19 que se sabia que a luz é uma forma de onda que se propaga a alta velocidade. Mas esta velocidade depende muito do meio por onde a luz se está a propagar. No ar, a velocidade da luz é quase 300.000 Km/s. No interior de um vidro transparente reduz-se a uns “meros” 200.000 Km/s. É esta mudança de velocidade que faz o feixe de luz desviar-se ao passar do ar para o vidro.
Graças a isto, temos todo um potencial fotográfico à mão de semear. Recorrendo a uma lente macro, ou a um filtro ‘close up’, pode captar efeitos espectaculares. Uma flor fica extremamente bonita vista através de uma gota de água, por exemplo – obtendo-se uma imagem dentro de outra imagem.
Sabendo disto, tem todo um mundo para explorar. Para o nosso exemplo recorremos a umas pintarolas, caixa transparente de CD, fundo preto e “copo” feito a partir de uma folha branca. E para criar as gotas de água, pode usar uma seringa. Mas em vez de pintarolas, pode usar texto, um relógio, comida, ou flores.
Se, como referimos, resulta melhor com uma lente macro, ou com filtro close-up (muito acessíveis), pode testar com uma lente que foque relativamente perto. A nossa “brincadeira” foi feita com uma 17-50mm da Tamron e funcionou na perfeição.

Equipamento utilizado:
Canon 50D; Tamron 17-50mm 2.8 [Ideal com lente Macro
ou com filtro close up]; Tripé Slik Pro 330DX

Mais:
Caixa transparente CD; Folha branca; Cartolina preta (ou tecido); Seringa; Pintarolas; Flores

Dificuldade: Baixa

1Um tripé é (praticamente) essencial para conseguir bons resultados. Uma vez que vamos querer uma abertura pequena – de forma a obtermos grande profundidade de campo e uma imagem nítida -, a velocidade de obturação também será diminuta. Se usar uma macro, então qualquer tremedeira será exponenciada e o resultado será sofrível. Um comando remoto também será bem-vindo, embora se possa recorrer ao temporizador da máquina.

2As pintarolas são um bom motivo para este nosso artigo prático. E não estamos a falar no facto de as poder comer a seguir, mas sim pela variedade de cor disponível. Depois tanto pode usar um vidro, como recorrer à tampa de uma caixa transparente para CD, em plástico. Para colocar as gotas de água, tanto pode usar uma seringa (como foi o nosso caso), como um vaporizador de água.

3No fundo colocámos uma cartolina preta e para envolver as pintarolas fizemos um “copo” de papel branco A4, que também serve de apoio ao plástico da caixa de CD. Com cuidado, fomos colocando algumas gotas de água na tampa de plástico – cada gota cria uma refracção das pintarolas.

4Posicionámos então o tripé paralelo à área de trabalho para que fosse possível maximizar a profundidade de campo. Compusemos a imagem e passámos a focagem para manual, incidindo o foco para a imagem refractada com as pintarolas e não para as gotas propriamente ditas. Experimentámos com uma abertura de f/4, mas a profundidade de campo ficou “curta”, com a imagem a ficar pouco atractiva.

5Mudámos a abertura para uns mais “exigentes” f/13 para conseguirmos maior profundidade de campo. Como seria de esperar, a velocidade de obturação desceu drasticamente, pelo que tripé e comando remoto (ou temporizador) passam a ser essenciais. O resultado? Para nós, muitíssimo melhor. Temos as gotas nítidas, bem como um fundo muito mais colorido e contrastante. Só que, analisando cuidadosamente a imagem, notamos os riscos e sujidade da tampa plástica.

6Talvez não tivesse sido má ideia termos limpo a caixa de plástico antes de avançarmos, mas como o mal está feito, só nos resta eliminar algumas destas marcas num programa de edição de imagens (como Photoshop, por exemplo). Dá algum trabalho, mas também não é nada de muito complicado. Recorrendo à ferramenta de clonagem em pouco tempo terá a foto “limpa”. Depois aproveite para editar o resultado final, com toques nos níveis (‘Levels’), curvas, contraste e talvez um pouco de saturação.

RESULTADO FINAL


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Artigo publicado na revista zOOm N.º 2
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