[Canon 5D MK II . 17 mm . f/11 . 171″ . ISO 100]

Não precisamos de sair do país para encontrarmos paisagens verdadeiramente espetaculares. E, qualquer que seja a nossa escolha geográfica, se olharmos com atenção para o que nos rodeia, acabamos por descobrir verdadeiras pérolas. E foi exatamente o que me aconteceu na última visita ao Alentejo.

Decido visitar Arraiolos. Depois de subir ao Castelo reparo que existe uma albufeira a poucos quilómetros dali. Tentei, lá do alto, descortinar a forma de me deslocar até à mesma. Via uma estrada, mas não tinha ideia de como chegar a ela.

Nesta e como em muitas outras situações do género, o melhor mesmo é perguntar a quem poderá saber: um habitante local. Dito e feito. Fico a saber que se trata da Barragem da Oleirita. Nunca tinha ouvido falar.

Com a orientação (bem) dada, dou comigo a percorrer uma estrada de terra batida. Não devo ter andado mais do que uns dois quilómetros. E lá estava eu, em frente a um… portão.

Sim, para entrar para aquele (enorme) pedaço de terra tinha que ser eu a abrir o portão e a fechá-lo, como era pedido num pequeno pedaço de chapa.

Que espaço magnífico!, não só para descansar um bocado mas, principalmente, para o que me tinha levado ali: fotografar.

Para onde quer que olhasse tinha inúmeros pontos de interesse fotográfico. A hora podia até nem ser a melhor – meio da tarde -, mas como estavam umas nuvens agradáveis, não podia perder a ocasião. Melhor, em fotografia não se devem perder oportunidades.

[Canon 5D MK II . 17mm . f/11 . 1/13″ . ISO 100]

Ainda hoje penso nesse espaço a uma outra hora do dia. Ao amanhecer, ou ao final do dia, deve ser uma verdadeira loucura. Talvez seja esta a desculpa que me obrigue a lá voltar…

Se ficou interessado (ou interessada) em visitar este espaço, leve consigo algumas coisas importantes: tempo, olhar atento e fotográfico e, principalmente, inspiração. O equipamento fotográfico é importante, mas a forma como você vê o que o rodeia é muito mais.

Depois também pode levar sempre uma lancheira para um eventual piquenique, uma lanterna para o caso de chegar cedo, ou querer partir já de noite, telemóvel carregado (com dinheiro e bateria). E, já agora, como se trata de um espaço muito grande e deslocado, diga a alguém seu conhecido para onde vai fotografar.

Em relação ao equipamento aconselho, para além da máquina propriamente dita, um bom tripé, filtros de densidade neutra (full e gradientes), polarizador e comando remoto. Em relação a objetivas, embora não seja necessária alguma em especial, uma grande angular (ou ultra grande angular) será uma boa opção. Mas tudo depende do que pretende como resultado final.

No meu caso, como a hora do dia não era a mais interessante, tentei aproveitar o que me era oferecido.

Primeiro optei por umas longas exposições, destacando a água e as nuvens. Para o fazer, recorri a um filtro polarizador, a um ND full de 10 stops (Lee Big Stopper) para prolongar a exposição para lá dos 30 segundos e a um filtro ND 0.6 grad (corta 2 stops de luz), para não perder informação no céu, isto é, que não ficasse sub-exposto. Assim, ficou equilibrado com a luz do primeiro plano (ou terra, como se costuma dizer para tornar a explicação percetível).

Para tanto tempo de exposição é necessário (obrigatório mesmo) recorrermos a um tripé. De preferência que seja robusto e estável. No dia em que fotografei estas imagens estava uma ligeira brisa que, se tivesse usado um tripé mais fraco, me dificultaria o trabalho e arruinaria o resultado final. Para lá do segundo, qualquer tremor na máquina (seja um toque involuntário, ou vento que sacode a mesma ou o tripé) é trespassado em forma de imagem tremida para o resultado final.

Terminadas as longas exposições, optei por mais duas ou três convencionais, isto é, sem o filtro de 10 stops e aproveitando outros motivos que, para mim, no momento me pareceram interessantes.

[Canon 5D MK II . 17mm . f/11 . 1/70″ . ISO 100]

As principais dicas ficam aqui apresentadas. Para quem se sentir tentado a visitar este espaço, aqui ficam as coordenadas GPS: N 38º44.202′ W007º58.690′

Texto e Fotos: Maurício Reis