Gerês, o paraíso aqui tão perto

Montanhas, vales, rios, cascatas, construções históricas e espécies animais únicas no país. Fotografar o Gerês é uma experiência inesquecível, garantindo-lhe cartões de memória cheios de imagens que vão deixar toda a gente de queixo caído. Descubra os lugares imperdíveis e conheça as técnicas essenciais para a sua Foto-Aventura no Gerês.

 

Quando falamos em Gerês, a primeira coisa que nos vem à cabeça é um santuário de vida selvagem. Um lugar onde a beleza está por toda a parte, mas algo distante, perdido lá longe, no longínquo norte. Mas a verdade é que o único Parque Nacional do país está a pouco mais de uma hora de distância do Porto.

Canon 5D MK III . Canon EF24-70mmF2.8 @24mm . f/11 . 3.2″ . ISO 100
Canon 5D MK III . Canon EF17-40mmF4 @34mm . f/10 . 8″ . ISO 100

Claro que não é simples para quem viaja de um pouco mais a sul (Coimbra, Lisboa, etc). Mas, nesse caso, há duas formas de resolver o problema: a arrojada (sair do emprego a uma sexta-feira e chegar ao Gerês depois da meia-noite) e a tranquila (partir no sábado, de manhã cedo, chegar pouco antes de almoço e aproveitar o dia e meio que resta para fotografar).

Se o leitor nos conhecesse minimamente não teria dúvidas e diria que optámos pela primeira abordagem. Certissimo! Até porque o melhor momento para fotografar aquelas paisagens é o amanhecer, quando ainda tudo dorme, natureza incluída, e toda a beleza do lugar é apanhada ainda desprevenida, com as ramelas nos olhos. Ora, uma chegada na sexta à noite garante-nos os amanheceres de sábado e domingo.

Fuji X-T1 . Fuji XF18-55mmF2.8-4 @18mm . f/6.4 . 56″ . ISO 400

Ou seja, pode fotografar uma aurora junto às pontes de Rio Caldo e, na manhã seguinte, tentar a sua sorte na Mata da Albergaria ou num dos muitos e belíssimos miradouros da região (Pedra Bela, Fraga Negra, Junceda, Boneca, Penedo da Freira e mais uns quantos). Se o tempo for generoso, não haverá nada mais belo por estas bandas do que ver o dia a nascer do alto de uma montanha, com a luz suave do amanhecer a desvendar aos poucos os solavancos da serra ou o serpentear dos rios por vales e escarpas.

Os entardeceres são outro instante mágico por terras da Peneda-Gerês. A albufeira da Caniçada, principalmente junto às icónicas pontes concebidas pelo mestre da engenharia Edgar Cardoso, é provavelmente o nosso lugar de eleição. O imenso plano de água é perfeito para captar o reflexo das luzes que salpicam a montanha, fugindo sorrateiras pelas janelas das casinhas típicas da região. Com jeitinho, pode também encaixar no enquadramento as silhuetas elegantes das pontes, cujo contorno iluminado sobressai naquele cenário montanhoso.

Canon 5D MK III . Canon EF17-40mmF4 @17mm . f/9 . 25″ . ISO 100

As famosas cascatas
Mas há muito mais para explorar no encantador e misterioso Gerês. Entre amanheceres e entardeceres há todo um maravilhoso mundo novo que o leitor e a sua câmara devem descobrir e explorar ao máximo. Todos os minutos contam, até porque as estradas não são famosas e há sempre uns quantos quilómetros a percorrer entre um e outro ponto.

Daí a importância de se ser criterioso na escolha dos lugares para fotografar. Na alta montanha pode encontrar espécies como o cavalo selvagem Garrano, a cabra-montês ou vaca-cachena (que se passeia livremente pelas estradas locais), nos miradouros captará algumas das paisagens mais deslumbrantes deste país e junto ao rio não faltam também ótimos motivos para fotografar.

Canon 5D MK III . Canon EF17-40mmF4 @17mm . f/13 . 2.5″ . ISO 100

A nossa escolha recaiu, no entanto, sobre as tão populares cascatas do Gerês. Ao todo, há umas cinco ou seis dignas de visita: Arado, Leonte, Laja, 7 Lagoas ou a tão famosa Cascata do Tahiti. Mas a sua localização – muitas vezes pouco acessível e quase sempre com caminhos cheios de obstáculos intransponíveis nos meses mais frios – obriga-nos a ser ainda mais seletivos.

A Cascata do Arado é talvez a mais próxima (na freguesia de Ermida, a poucos quilómetros da Vila do Gerês) e a mais fácil de aceder. Saindo da estrada que vem da Pedra Bela, bastará percorrer de carro cerca de um quilómetro em terra batida e depois caminhar uns bons 300 metros. Se optar pelo miradouro terá uma vista elevada e mais abrangente, mas a perspetiva lá de baixo dará certamente uma noção de maior grandiosidade à fotografia. Se bem que esta segunda opção o obrigue a percorrer um leito seco, recheado de pedregulhos, com os riscos que daí podem advir.

Fuji X-T1 . Fuji XF18-55mmF2.8-4 @18mm . f/13 . 2.5″ . ISO 200

Em ambos os casos, não deve perder a oportunidade de encaixar na sua imagem a belíssima ponte sobre o rio Arado. A construção antiga, com seus arcos em pedra, vai imprimir na sua foto um dose de romantismo e nostalgia que engrandece qualquer imagem.

Outono e primavera
Não tendo propriamente uma época ideal para ser visitado, o Gerês e o seu imenso manto verde ganham tonalidades especialmente interessantes de fotografar no outono e na primavera. Há novas cores que irrompem pela paisagem e o contraste com o céu azul ou nuvens de algum grau de dramatismo garantem imagens de fazer inveja. Aproveite por isso os feriados de outubro e novembro para uma escapadinha, bem como as férias da Páscoa e também as de Natal.

No inverno há igualmente bons motivos para fotografar o Gerês. O clima por vezes agreste proporciona cenários de beleza irrepetível: uma estrada cintilante depois de uma chuvada, a neblina matinal ou mesmo os fins de tarde com as casinhas da encosta e suas chaminés fumegantes. Isto sem falar nos cumes gelados que, algures entre os meses de janeiro e fevereiro, costumam cobrir-se de um manto branco, que apetece mesmo fotografar, levar para casa e emoldurar no nosso Ambiente de Trabalho do PC ou na nossa rede social favorita.

Canon 5D MK III . Canon EF24-70mmF2.8 @28mm . f/14 . 1.6″ . ISO 100

Mas o clima prega-nos sempre rasteiras e, além do frio (remediável com bons agasalhos), há que ter em conta a chuva – afinal, esta é a região onde mais chove em Portugal – e o nevoeiro, que além de lhe roubar boas fotografias ainda o pode meter em apuros, levando-o a desorientar-se e perder-se dos trilhos. As notícias de jornal estão cheias de histórias do género, que só acabam bem graças ao esforço de bombeiros e da brigada especializada da GNR.

Por seu lado, o verão acaba por ser a época menos fotogénica no Gerês. Não só pela intensidade da luz, que desvirtua alguma da beleza paisagística, mas também por ser um tempo de maior afluxo turístico: o rio enche-se de barcos e motas de água, as praias fluviais e cascatas são invadidas por banhistas e as montanhas perdem alguma da sua solidão com a chegada de muitos caminheiros e, infelizmente, uns quantos jipes e moto4.

Fuji X-T1 . Fuji XF18-55mmF2.8-4 @18mm . f/4.5 . 1/20″ . ISO 200

Um destino completo
O regresso a casa, no final da tarde de domingo, é momento ideal para um balanço desta foto-aventura. Bem feitas as contas, o Gerês é um destino bastante completo para quem quer fazer muita e boa fotografia. Para os fãs da paisagem, o céu é o limite, não faltando lugares de sonho na sua linha de horizonte. As cascatas e os rios, aqui volumosos e possantes, são outro potente íman para fotógrafos ao qual poucos resistem.

Se a opção recair na vida selvagem, há por toda a serra motivos de interesse, desde o ex-líbris da região (o cavalo garrano) até ao misterioso e fugidio lobo-ibérico (virtualmente impossível de fotografar, acredite). Mas há muito mais por essas montanhas: corços, javalis, lontras, gatos-bravos, martas, texugos, cabra-pirineica e até mesmo o adorável cão de Castro Laboreiro.

Fuji X-T1 . Fuji XF18-55mmF2.8-4 @46.3mm . f/13 . 1/13″ . ISO 200
Fuji X-T1 . Fuji XF18-55mmF2.8-4 @55mm . f/13 . 1.3″ . ISO 200

E há ainda as construções, que fazem as delícias da fotografia de arquitetura. Algumas dessas edificação são centenárias como os espigueiros do Soajo ou a ponte medieval dos Eixões, outras mais recentes, mas com presença marcante na paisagem local, como é o caso das barragens de Caniçada e Vilarinho das Furnas, para além das já mencionadas pontes de Rio Caldo.

Sem falar na História, tão presente em todos os locais, com destaque para a Geira, a antiga via romana que ligava Bracara Augusta (atual Braga) a Astorga (em Espanha) e da qual sobrevivem os lendários marcos miliários, cilindros de granito que assinalam as milhas. Resumindo: não faltam aqui lugares para captar algumas das mais belas fotografias que poderá encontrar em Portugal. A única coisa que escasseia é mesmo o tempo para explorar este imperdível destino fotográfico.

Canon 5D MK III . Canon EF17-40mmF4 @17mm . f/4.0 . 15″ . ISO 1600
Fuji X-T1 . Fuji XF14mmF2.8-4 @14mm . f/8 . 25″ . ISO 200

Equipamento fotográfico recomendado:
Obviamente, câmara e objetivas. Um tripé, mesmo não sendo obrigatório podemos considerar essencial, acredite. Filtros de densidade neutra e em gradiente podem ser uma boa ajuda para equilibrar a luz e, também quase obrigatório, o filtro polarizador. Flanela para limpar a objetiva e filtros, principalmente para usar nos dias em que está a chover ou com nevoeiro. Comando remoto para evitar tocar na câmara em exposições mais longas, embora neste caso particular pode sempre recorrer ao temporizador da câmara.

Canon 5D MK III . Canon EF24-70mmF2.8 @24mm . f/16 . 0.8″ . ISO 100

Conselhos finais:
O Gerês está longe de ser um destino problemática. A região está relativamente bem servida de acessos e os trilhos estão devidamente sinalizados. Contudo, há que tomar algumas precauções para evitar incidentes que lhe atrapalhem a aventura fotográfica:

  • Leve roupas quentes no inverno (de preferência, várias camadas de roupa e de tecido leve), um impermeável, luvas e um bom par de botas (esqueça os ténis, escorregar ou torcer um pé é um risco permanente, principalmente junto à água).
  • Antes de se fazer à estrada, consulte a previsão meteorológica e leve sempre um mapa e uma bússola (nalguns locais a rede móvel deixará algo a desejar e poderá ser necessário orientar-se à moda antiga). Uma lanterna pequena também o pode ajudar se chegar ainda de madrugada a um dos spots.
  • Caso se aventure pela montanha, tente não o fazer sozinho (idealmente, levando alguém que já conheça os locais) e não se afaste dos trilhos.
  • Muito cuidado com as fotografias “acrobáticas”. Por vezes, temos a ilusão de que o melhor enquadramento só se consegue empoleirado num penedo ou noutro lugar de difícil acesso, mas não esqueça que a humidade aqui é uma constante e o piso escorregadio é propício a acidentes
Fuji X-T1 . Fuji XF18-55mmF2.8-4 @25.4mm . f/20 . 0.9″ . ISO 200
Fuji X-T1 . Fuji XF18-55mmF2.8-4 @52.7mm . f/4.0 . 1/20″ . ISO 200

 

Spots recomendados:

Cascata do Arado – GPS: N 41º 43′ 38.34” – W 8º 8′ 44.43”
Cascata, ponte, montanha e, com sorte, um ou outro garrano que se passeie pelo local.
Miradouro da Pedra Bela – GPS: 41°42’56.47”N – 8° 9’11.73”W
Provavelmente a melhor vista da região, de onde se vislumbram montanhas, vales e uma boa porção da Albufeira da Caniçada.
Portela do Homem – GPS: 41° 48′ 32″ N – 8° 7′ 54″ O
Durante séculos fez fronteira com Espanha, é  um passo de montanha, situado a 822 metros de altitude, numa garganta que desce até à Galiza.
Rio Caldo
Pontes de Edgar Cardoso e albufeira da Caniçada
Mata da Albergaria
Alcolhe espécies únicas da flora em Portugal, incluindo um carvalhal secular em estado natural.
Geira
Marcos Miliares com perto de dois mil anos e parte da antiga via romana.

* as coordenadas GPS foram recolhidas em vários sites especializados e confirmadas por vários utilizadores, mas poderão registar-se algumas variações, pelo que recomendamos que confirme sempre as direções (por exemplo, no Google Maps ou mesmo usando um mapa em papel).

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