Sugestões para fotografar na Costa Alentejana

Da emblemática ilha do Pessegueiro, até à “fronteira” com o Algarve, passando por lugares inesquecíveis, como Milfontes ou Zambujeira, percorremos algumas das paisagens mais fascinantes do nosso país. Nesta Foto-Aventura rumamos a Sul, em busca dos muitos tesouros fotográficos que se escondem na Costa Alentejana.

 

O Alentejo já não é o segredo bem guardado doutros tempos e há pelo menos uma década que entrou nos roteiros turísticos. Mas, ainda assim, continua longe – muito longe – das temíveis enchentes de outros locais, como o Algarve.

Fuji X-T1 . Fuji XF14mmF2.8 @14mm . f/11 . 0.4″ . ISO 200
Canon 5D MK II . Canon EF17-40mmF4 @20mm . f/5.0 . 217″ . ISO 100 – Vila Nova de Milfontes

E é por isso que a Costa Alentejana é um dos poucos destinos que lhe permite combinar o melhor de dois mundos: férias e fotografia. As praias sossegadas e um mar liberto das sempre inoportunas embarcações turísticas abrem caminho a fotoaventuras que o leitor poderá facilmente combinar com umas férias em família.

Canon 5D MK II . Canon EF17-40mmF4 @20mm . f/14 . 8″ . ISO 50
Canon 5D MK II . Canon EF17-40mmF4 @17mm . f/14 . 20″ . ISO 50 – Praia da Zambujeira

É tudo uma questão de planificação. Escolha uma base – no nosso caso, optámos por Vila Nova de Milfontes – e vá depois percorrendo a região do Parque Natural do Sudoeste Alentejano e Costa Vicentina, onde os paraísos fotográficos estão, no máximo, à distância de uma hora, hora e meia, de carro. E não faltam pequenos tesouros à espera de serem descobertos pela sua objetiva: costas escarpadas, velhas embarcações encalhadas, aves marinhas, ilhas que fazem parte do imaginário juvenil… enfim, o céu é o limite. Ou melhor, o tempo é o limite.

Canon 5D MK II . Canon EF17-40mmF4 @17mm . f/11 . 4″ . ISO 100 – Vista sobre o Porto das Barcas, na Zambujeira do Mar
Canon 5D MK II . Canon EF17-40mmF4 @17mm . f/16 . 8″ . ISO 100

Mas, mais uma vez, a organização é o segredo de uma boa sessão fotográfica. Sejam as madrugadas – aqui, verdadeiramente mágicas –, os fascinantes entardeceres ou mesmo as surpreendentes noites (se tiver sorte com o luar…), nenhuma delas colide com o horário de praia. OK, os fins de tarde efetivamente podem colidir com uma ida à praia, mas até aí uma boa gestão o pode ajudar (leve a mochila no carro, para o caso de encontrar algum spot imperdível para captar o pôr do sol).

Canon 5D MK II . Canon EF17-40mmF4 @17mm . f/22 . 2″ . ISO 50 – Pequena praia, apenas acessível com a maré baixa, junto à praia da Zambujeira. Esta foto valeu uma queda, dor nas costas e uma cabeça de tripé “danificada” pela água do mar.

O Rebocador Enferrujado e as Cascatas
É um dos lugares mais procurados pelos fotógrafos que viajam até à Costa Alentejana. Já vem de longe a atração dos fotógrafos por embarcações abandonadas, mas neste caso junta-se uma pitada de mistério – ainda hoje não se sabe ao certo como um rebocador holandês veio parar a uma minúscula praia, em Vila Nova de Milfontes.

Fuji X-T1 . Fuji XF35mmF2 @35mm . f/2.0 . 30″ . ISO 3200 – Do rebocador encalhado em Vila Nova de Milfontes já pouco resta. Esta foto foi feita às 23h00, de uma noite de Abril, com algum vento e frio. Não foi fácil, mas quem disse que a Fotografia era fácil?

A forte erosão marítima fez o seu trabalho e, hoje, o Klemens é mais um esqueleto de ferrugem do que propriamente um barco encalhado. Ainda assim, continua a ser um excelente motivo para boas fotografias, até pela configuração rochosa da praia do Patacho (também conhecida como Pedra do Patacho).

Explore a sua silhueta fantasmagórica, deixando as suas sombras estenderem-se pelas rochas e (curto) areal, ao fim da tarde, ou mesmo numa noite mais iluminada. Por estar praticamente dentro da Vila, é um dos spots mais acessíveis (tem estrada quase até lá e depois há um caminho de terra que passa pela ETAR e o leva lá direitinho).

Canon 5D MK III . Canon EF17-40mmF4 @17mm . f/16 . 1.6″ . ISO 100

Mas, apesar do encanto e nostalgia, o ferrugento Klemens não será, porventura, o segredo fotográfico mais precioso de Vila Nova de Milfontes. Esse esconde-se do outro lado do rio Mira, à Praia das Furnas, sendo bem mais difícil de descobrir. A Cascata que partilham o nome com a praia vizinha são um lugar de visita obrigatória, proporcionando-lhe a possibilidade de pôr em prática tudo o que aprendeu sobre o movimento da água, os reflexos, jogos de luz e tudo aquilo que se espera de um lugar onde a água em movimento e a vegetação envolvente se combinam na perfeição para conseguir grandes fotos.

Canon 5D MK II . Canon EF17-40mmF4 @17mm . f/11 . 3.2″ . ISO 100 – Cascata das Furnas. Dependendo da altura do ano, pode ser mais ou menos difícil chegar até ela. Mas vale a pena tentar…

Quem espera encontrar naquele lugar a típica paisagem alentejana, prepare-se para ser surpreendido. No entanto, deixamos desde já o alerta que não será fácil aceder a ela. É necessário subir por um complicado caminho de terra batida (a pé, pois claro) e as indicações nem sempre são exatas (veja as coordenadas no final do artigo).

Três conselhos: em alguns anos a cascata poderá estar seca, pelo que convém informar-se (por exemplo, junto dos operadores turísticos ou do bar da Praia das Furnas); leve um bom calçado – nem pense em aventurar-se por lá com aqueles chinelos de praia que parecem tão confortáveis –; e não esqueça do tripé (nem do disparador remoto). As longas exposições indispensáveis para captar o efeito da água assim o exigem.

Canon 5D MK II . Canon EF17-40mmF4 @33mm . f/16 . 4″ . ISO 100

A ilha e o paraíso mais a sul
A primeira coisa que tem de saber sobre a Ilha do Pessegueiro é que de nada lhe valerá a teleobjetiva para andar ali a vasculhar aquele pedaço de rocha em busca do famoso pessegueiro. Na verdade, este apenas existe na letra escrita por Carlos Tê, para a música de Rui Veloso, que imortalizou este lugar.

Ao longe, no centro da imagem, a Ilha do Pessegueiro

A aridez do local não permite ali grande vida – tirando alguma vegetação arbustiva e gaivotas qb – mas, em contrapartida, o Pessegueiro é fértil em motivos fotográficos. Aliás, se procurar com algum cuidado, encontrará um enquadramento perfeito, que inclui o mar – aqui naquele tom de azul-escuro tão difícil de captar em fotografia – as elevações da costa e a fortaleza (que, só por um pequeno detalhe que fica sempre bem, se chama Forte de Nossa Senhora da Queimada do Pessegueiro).

Fuji X-T1 . Fuji XF14mmF2.8 @14mm . f/20 . 0.4″ . ISO 200 – Na arriba à direita da praia da Zambujeira. Cenário magnífico que temos diante de nós

A nossa proposta é que tire o dia para conhecer o local (a praia é bastante aprazível) e explore as redondezas, em busca daquela foto que vai emoldurar na sua memória. Encontra a Ilha do Pessegueiro seguindo pela estrada entre Vila Nova de Milfontes e Sines, muito perto da também ela emblemática localidade de Porto Covo.

Fuji X-T2 . Fuji XF18-55mmF2.8-4 @18mm . f/13 . 30″ . ISO 200 – Na Arrifana pode deliciar-se com paisagens como esta

Este foi, aliás, o ponto mais a norte que exploramos nesta Fotoaventura. Depois disso, rumamos a sul, onde se aguça a beleza e a costa – até ali algo despojada – ganha cores e texturas muito mais agradáveis ao olhar e também à objetiva da câmara. E, nesse aspeto, a Zambujeira do Mar marca pontos.

Fuji X-T1 . Fuji XF14mmF2.8 @14mm . f/20 . 0.8″ . ISO 200

Esta freguesia do concelho de Odemira tem à nossa espera uma praia que apetece fotografar uma e outra vez, com o areal rasgado pelas formações rochosas talhadas por séculos de erosão ou das falésias envolventes. Sem esquecer outros lugares marcantes da região, como as praias dos Alteirinhos, Nossa Senhora, Arquinha e Tonel. Evite o final de julho, quando a região é invadida por fãs de música que ali acorrem em busca das emoções fortes do famoso Festival.

Canon 5D MK II . Canon EF17-40mmF4 @27mm . f/14 . 15″ . ISO 100 – Zambujeira, à noite, vista da Praia. Entretanto, a iluminação foi quase toda substituída por LED, tendo agora cor branca
Canon 5D MK II . Canon EF17-40mmF4 @32mm . f/13 . 0.5″ . ISO 100 – Rio Mira, em Vila Nova de Milfontes

Mas é preciso rumar ainda mais a sul para chegarmos àquele que é, certamente, um dos nossos lugares de eleição. Odeceixe fica já, tecnicamente, no Algarve – faz parte do concelho de Aljezur – mas nestas coisas da fotografia não podemos ser miudinhos. Por isso, deixamos que a nossa Fotoaventura ultrapasse fronteiras para terminar nesta caprichosa língua de areia, que obriga a Ribeira de Seixe a desenhar uma curva apertada, antes de se fazer ao mar.

Canon 5D MK II . Canon EF17-40mmF4 @17mm . f/8 . 1/250″ . ISO 100
Canon 5D MK II . Canon EF17-40mmF4 @17mm . f/8 . 1/250″ . ISO 100

Avance com vagar pelas ruinhas da freguesia, conheça-a aos poucos e, no final do dia, aventure-se pela Praia de Odeceixe-Mar e tente apanhar o sol desprevenido enquanto ele vai mergulhando lá no meio do Atlântico. Foi assim que acabou a nossa Fotoaventura e pode muito bem ser acontecer o mesmo com a sua.

Fuji X-T2 . Fuji XF18-55mmF2.8-4 @24.3mm . f/3.2 . 10″ . ISO 3200

 

Spots recomendados:

Rebocador Klemens – Praia do Patacho (junto à ETAR de Vila Nova de Milfontes)
Cascata das Furnas – 37.753233 N, -8.717605 O
Ilha do Pessegueiro – 37º49’44.47 N – 8º47’27.41 O
Zambujeira do Mar – 37.523224 N, -8.787329 O
Odeceixe – 37° 25′ 58″ N 8° 46′ 09″ O

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