O mundo da música visto atrás da lente

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Alexandre Marques

Alexandre Marques nasceu em Lisboa, em 1984. Licenciou-se em Gestão pelo Instituto Superior de Economia e Gestão (ISEG). Apesar da sua formação académica e de ter iniciado a sua vida profissional na área da gestão, a fotografia sempre esteve bastante presente na sua vida, primeiramente e durante algum tempo apenas como “hobbie”. Contudo, em 2015 começou a dedicar-se em exclusivo à fotografia, tendo abandonado a sua anterior carreira. Alexandre Marques tem desenvolvido a sua atividade essencialmente em fotografia de reportagem e tem trabalhos publicados em alguns órgãos de comunicação social.

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Nasci, cresci e vivo em Lisboa. Licenciei-me em Gestão e exerci durante alguns anos esta profissão. Contudo, o bichinho da fotografia já existia há muito tempo, por isso em 2015 acabei por dar o passo que há muito vinha a ser adiado.

O meu interesse pela fotografia começou quando eu tinha 6 ou 7 anos. O meu pai gostava muito de fotografia, tinha uma máquina Reflex analógica que andava com ele para todo o lado, com a qual registava os momentos mais importantes da família, as viagens e gostava de dar o seu cunho artístico à fotografia.

Com ele nasceu o meu gosto pela fotografia, e aos poucos fui aprendendo. Todavia, foi muito mais tarde, quando já andava na faculdade, que a fotografia se tornou um hobby sério. Comprei a minha primeira máquina, já não usava a máquina do meu pai, e aos poucos foi crescendo a vontade de fazer e aprender mais.

Canon 6D . Canon EF70-200mmF2.8 @200mm . f/2.8 . 1/125″ . ISO 1000
Canon 6D . Canon EF70-200mmF2.8 @88mm . f/2.8 . 1/125″ . ISO 800

Antes de me dedicar à fotografia de concertos, espetáculos e eventos, fotografava paisagens naturais e urbanas. Gostava de andar pela rua e fotografar ou, quando ia para zonas de campo, aproveitava para fotografar paisagens naturais.

Quando decidi dedicar-me inteiramente à fotografia, o primeiro passo foi fazer um curso onde pudesse aprender e tivesse alguém para me orientar. Aí tive oportunidade de fazer um pouco de tudo e assim conhecer outros géneros, perceber outros interesses. Um deste géneros foi o fotojornalismo, tendo ainda durante o curso fotografado eventos desportivos, de moda e culturais. Pouco antes de começar a preparar o trabalho final, sabendo que eu tinha adorado todos os trabalhos relacionados com reportagem, sugeriram-me fazer também uns concertos e aceitei a ideia.

Comecei a procurar como podia fazer junto da escola e de algumas pessoas que conhecia no meio e acabei por conseguir fotografar um concerto. Confesso que o primeiro não foi a melhor experiência por diversas razões, mas mesmo assim achei que era um caminho a seguir e por isso decidi que o meu trabalho final ia ser precisamente sobre este tema. As Festas do Mar, em Cascais, aconteceriam cerca de um mês antes de entregar o trabalho e pareceu-me ser o tema ideal para o meu trabalho. Correu muito bem, tendo as apreciações ao trabalho sido muito positivas.

Canon 6D . Canon EF70-200mmF2.8 @90mm . f/2.8 . 1/160″ . ISO 1600
Canon 6D . Canon EF70-200mmF2.8 @150mm . f/2.8 . 1/125″ . ISO 1250

Inicialmente, usava uma máquina Canon 6D e uma 60D. Quanto a objetivas tinha uma Canon EF24-70 e uma Canon EF 75-300. Cheguei a usar uma Canon 50mm por ter uma abertura maior e que faz muita falta em cenários de pouca luz.

Rapidamente percebi que não chegava e acrescentei uma Canon 70-200 f2.8. Esta lente foi um grande upgrade no meu set. Deixei de usar a máquina 60D, ficando apenas a usar a 6D. Atualmente estou a experimentar uma Sony também com sensor full frame.

Canon 6D . Canon EF70-200mmF2.8 @115mm . f/2.8 . 1/125″ . ISO 1600
Canon 6D . Canon EF70-200mmF2.8 @140mm . f/2.8 . 1/125″ . ISO 1600

O grande desafio deste género de fotografia prende-se com a pouca luz, diferente em cada espetáculo e muitas vezes com tonalidades que não facilitam nada a quem está a fotografar. É preciso perceber rapidamente como podemos tirar o melhor proveito dessa luz, até porque ainda há a agravante do tempo, pois, geralmente, temos apenas alguns minutos para fotografar um espetáculo. Tem que ser tudo rápido, perceber as condições, e de acordo com a luz e com o espetáculo, configurar a máquina e fotografar.

É preciso um foco rápido, o que com pouca luz se torna difícil. Porém, com prática descobrimos alguns truques para o tornar mais fácil e rápido. Embora num concerto haja constantemente movimento, eu prefiro sempre o foco único (One Shot AF) , que me dá a liberdade de focar e posteriormente alterar o enquadramento.

Canon 6D . Canon EF70-200mmF2.8 @70mm . f/2.8 . 1/125″ . ISO 1600
Canon 6D . Canon EF70-200mmF2.8 @200mm . f/2.8 . 1/100″ . ISO 1600

Neste tipo de fotografia, a luz é o grande desafio. O flash não é opção e por isso é importante ter lentes luminosas com uma boa abertura e assim captar a melhor luz. O ISO elevado é a única alternativa para compensar a falta de luz, pois a velocidade da obturação só podemos descer até determinado ponto, para evitar borrões na fotografia.

Lemos e aprendemos que temos que usar ISO baixo, mas neste caso não podemos levar isso à letra, já que corremos o risco de não termos nada para editar quando chegarmos a casa. O importante é conhecermos bem a nossa máquina e perceber qual o ISO máximo que podemos usar sem comprometer o resultado final. Assim que se encontra este valor, então é usá-lo sem receio.

Canon 6D . Canon EF70-200mmF2.8 @200mm . f/2.8 . 1/125″ . ISO 800
Canon 6D . Canon EF70-200mmF2.8 @88mm . f/2.8 . 1/125″ . ISO 1000

Como já referi, o ISO é fundamental. Atendendo a que fotografo com sensor full frame tenho mais liberdade para subir o ISO, mas reitero que o importante é conhecer a máquina que temos e usá-lo bem. Costumo ter também especial cuidado com a velocidade para não correr o risco de ficar com borrões na imagem.

Quanto ao foco prefiro o One Shot AF para focar e enquadrar posteriormente com total liberdade. Acima de tudo, é essencial conhecer bem a máquina, pois permite-nos alterar as configurações de forma rápida.

Canon 6D . Canon EF70-200mmF2.8 @200mm . f/2.8 . 1/100″ . ISO 1000

Assim que acabo de fotografar começo o trabalho de edição. Primeiro faço uma cópia para um disco de trabalho que está sempre ligado e outra para um disco de backup. Posteriormente, importo para o Lightroom, onde faço todo o trabalho de edição. Começo por fazer uma seleção, geralmente uma galeria de imagens com entre 10 a 20 imagens.

Tenho alguns presets para corrigir alguns aspetos básicos, como a temperatura de cor, a saturação etc., mas após aplicar o preset vejo cada foto e faço algumas correções específicas básicas, tais como exposição, contraste, realces e sombras. Gosto de fazer edições simples, porque entendo que a fotografia deve mostrar aquilo que vi e a edição serve somente para realçar alguns aspetos.

Canon 6D . Canon EF70-200mmF2.8 @75mm . f/2.8 . 1/125″ . ISO 1600

Neste tipo de fotografia é fundamental conhecer o artista que vamos fotografar, algo que faço sempre, como se fosse um «trabalho de casa». É estimulante fotografar artistas que desconhecemos ou que não fazem parte das nossas opções musicais, pois muitas vezes temos agradáveis surpresas. Antes do espetáculo devemos conhecer o mais possível dos artistas, essencialmente vendo vídeos de concertos anteriores. Este conhecimento será uma enorme ajuda na hora de fotografar.

Outro conselho é respeitar as regras que normalmente são dadas a conhecer momentos antes do início do concerto, como a zona reservada para os fotógrafos ou para a imprensa, o tempo para captar imagens, etc… Qualquer dúvida deve ser logo esclarecida com o responsável de imprensa. Por último e acima de tudo, no momento de fotografar o respeito pelos colegas é essencial. Todos têm o mesmo objetivo e se houver respeito no final todos podem sair satisfeitos com o resultado.

Canon 6D . Canon EF24-70mmF4 @70mm . f/4.0 . 1/125″ . ISO 800

Na verdade, a fotografia de casamentos, família, maternidade, acabam por ser trabalhos de reportagem – o que procuro demonstrar num concerto é o mesmo que procuro demonstrar num casamento – procuro captar momentos, emoções e acontecimentos. Se num concerto o objectivo é mostrar os melhores momentos e as emoções passadas do artista para o público, num casamento procuro captar os momentos especiais e todas as emoções vividas pelos noivos, familiares e amigos.

Canon 6D . Canon EF70-200mmF2.8 @200mm . f/2.8 . 1/250″ . ISO 1250

Por outro lado, a fotografia de espetáculos tem sido muito útil para fotografar outros géneros de fotografia, como casamentos, por exemplo. Ao fotografar espetáculos, aprendi a ter atenção não só ao que vejo pelo óculo da minha máquina mas ao que me rodeia. Por exemplo, se me viro de costas para o palco para fotografar o público, tenho que perceber se algo importante acontece do outro lado. Tenho que o perceber pela reação do público, pelo movimento dos meus colegas e pela própria música. Quando fotografo noutros ambientes acabo por me comportar exatamente do mesmo modo.

Canon 6D . Canon EF70-200mmF2.8 @200mm . f/2.8 . 1/125″ . ISO 800

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