Objetiva zoom ou fixa? Descubra a ideal para si.

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Hugo Pinho

"Viajar, descobrir novos locais e culturas é um prazer inigualável. E com o passar dos anos vou-me apercebendo das mudanças rápidas que vão acontecendo neste mundo. Seja ao nível da paisagem urbana que se vai modificando a um ritmo acelerado, seja pelas pessoas nascem e as que partem, culturas e tradições em risco de desaparecer. E se for possível registar tudo isso para memória futura, é mais do que algo que se encontra ao nosso alcance, é quase uma obrigação. Sou o Hugo, fotógrafo documental."

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As objetivas zoom servem para “ampliarmos” os assuntos a fotografar sem termos de sair do lugar, certo? Errado!
Esta é uma ideia aceite na generalidade e que muitos utilizadores, mesmo alguns mais experientes, ainda aceitam como verdadeira. E a culpa passa também pelos fabricantes, que durante muitos anos anunciavam as suas câmaras compactas e bridge destacando o fator de ampliação nos seus anúncios. Por exemplo 5x, 12x, 50x ou até mesmo 125x como no caso da Nikon P1000, com um zoom ótico equivalente a 24-3000mm!

Ao fim de anos a promover as vendas de câmaras publicitando como ponto forte o números de vezes que a determinada objetiva amplia, essa ideia ficou tão enraizada nos hábitos das pessoas que hoje em dia é vulgarmente aceite como correta.

Nikon P1000, com um zoom de 125x equivalente a uma objetiva 24-3000mm

Então uma objetiva zoom serve ou não para ampliar?
Embora em termos práticos sim, amplie, a finalidade não é essa. Excluindo as devidas excepções nas quais não é possível aproximarmo-nos dos assuntos a fotografar, como por exemplo durante um jogo de futebol, ou fotografando determinadas espécies no seu habitat natural, “ampliar” não é a função de uma objetiva zoom.

Vamos então de seguida analisar com mais detalhe a função de uma objetiva zoom. E por uma questão de simplicidade, todas as distâncias focais referidas serão sempre valores equivalentes a um sistema full-frame.

Para diferentes situações ou géneros de fotografia, necessitamos de uma objetiva com um determinado conjunto de características, entre eles a sua distância focal. Por exemplo, para fotografar Arquitetura ou interiores, provavelmente iria escolher uma 24mm ou uma 20mm. Já para Fotografia de Rua, Fotografia Documental ou de Viagem, algo entre os 35 e os 50mm seria uma boa escolha. Para retrato, 75mm ou superior são as distâncias focais mais adequadas. Objetivas entre os 75 e os 135mm são mais favorecedoras das feições.

Fazer zoom com os pés” – provavelmente já todos ouviram ou leram esta expressão, muitas vezes dita por orgulhosos utilizadores de objetivas de distância focal fixa (para simplificar: objetivas fixas). Mas será que pegar numa 24mm e aproximar-me da pessoa que vou fotografar é o mesmo que utilizar uma objectiva de 85mm? Vamos ver os exemplos seguintes:

Retrato feito com uma distância focal de 75mm
No mesmo local, mas dando uns passos em frente e fotografando com 24mm
75mm
24mm

Como é possível verificar, em ambas as fotografias a pessoa ocupa a mesma porção da imagem, mas com um resultado totalmente diferente.

Na fotografia captada com uma objetiva de 75mm o primeiro plano e o plano de fundo são comprimidos, e utilizando uma grande abertura na objectiva conseguimos um efeito de focagem mais criativo, designado por bokeh, dando destaque ao assunto principal e desfocando o fundo.

Com a objetiva de 24mm o plano de fundo parece mais afastado, dando destaque ao assunto principal mas em detrimento das feições da pessoa retratada. Fazendo retratos muito próximos com uma objetiva grande-angular as feições ficam distorcidas, nada favorecedoras. E quando enquadramos a pessoa mais próxima das margens da imagem, esse efeito é mais notório.

Retrato realizado a 24mm com a pessoa mais descentrada. A distorção é ainda mais visível.

Como vimos, “fazer zoom com os pés” é uma maneira de falar e o que quer realmente dizer é que, com uma objetiva fixa, temos de nos mexer, pensar um pouco, e procurar a distância e enquadramento mais adequados para a fotografia que pretendemos fazer.

Voltando ao conjunto de imagens anterior, quer isto dizer que não podemos captar retratos com uma objectiva grande-angular? Nada disso, claro que podemos. É possível até obter imagens interessantes utilizando a distorção para um efeito mais dramático. Ou, então, quando interessa que o plano de fundo faça parte da fotografia, conferindo-lhe um contexto. Mas tem de ser algo que se faça de forma consciente, propositadamente e com noção da inevitável distorção.

24mm – Nesta imagem a distorção foi utilizada de forma propositada, com um claro exagero da dimensão das mãos relativamente ao corpo.
24mm – Um retrato de corpo inteiro com uma objetiva grande angular pode ser interessante para dar algum destaque também ao local, conferindo contexto.

Para que serve então uma objectiva zoom?
As objetivas zoom permitem ao utilizador mudar a sua distância focal, portanto a sua grande vantagem é a enorme versatilidade que oferece. Por exemplo, numa 24-105mm conseguimos ter as distâncias focais de 24mm, 28mm, 35mm, 50mm, 75mm e 105mm (bem como todas as distâncias intermédias…) numa única objectiva, substituído um saco cheio de objetivas de focal fixa!

Dito assim, adquirir uma objectiva zoom é a escolha óbvia, correto? Bem… nem sempre. Ao optarmos por uma objetiva zoom algumas cedências têm de ser feitas. Por norma, a abertura máxima é menor do que numa objectiva fixa, são maiores, mais pesadas e, geralmente, a nitidez da imagem é inferior.

Para quem necessita apenas de uma única distância focal, por exemplo um fotógrafo de rua que utiliza maioritariamente a distância focal de 35mm, a decisão é fácil, uma objectiva fixa é a escolha óbvia. Mas se necessitar de uma variedade de distâncias focais para diferentes propósitos e o seu género de fotografia assim o requeira, entre utilizar um conjunto de 3 objetivas que se vão alternando, ou apenas uma zoom que cubra essas distâncias focais, pode ser uma decisão a ponderar seriamente. Não há uma resposta fácil e vai depender dos requisitos de cada um.

Concluindo, o importante era reter qual a real função de uma objectiva zoom, que provavelmente muita gente a tem utilizado de forma errada toda a sua vida. Não serve para aproximar/afastar sem termos de sair do local onde nos encontramos, mas sim para nos permitir selecionar a distância focal adequada ao assunto que pretendemos fotografar.

Desse modo, de certa forma as objectivas zoom têm feito mais mal que bem, pois torna-nos preguiçosos, estáticos, em vez de “trabalharmos” o assunto, movendo-nos em torno dele e procurando o melhor enquadramento.

Zoom ou prime, como decidir então?
Se o tipo de fotografia que fazes não tem uma gama de distâncias focais bem definida, o ideal será escolher uma boa objectiva zoom, de preferência com abertura constante ao longo de toda a gama de distâncias focais. Mas se consistentemente verificares que usas sempre a mesma distância focal, ou em torno de um determinado valor, uma objectiva de focal fixa será a escolha acertada.

E como verificar isso? Para todos os que usam o Adobe Lightroom para organizar a biblioteca de imagens, estando no modo de “Biblioteca” basta selecionar uma determinada pasta, ou todo o catálogo, e no topo encontrarás a barra “Filtro da biblioteca”. Por defeito encontra-se em “Nada”, mas selecionando “Metadados” o programa irá apresentar para aquele conjunto de imagens uma estatística interessante que te permitirá saber quantas fotografias foram tiradas com cada câmara e objetiva. Se não aparecerem as distâncias focais, basta adicionar coluna e defini-la para apresentar valores sobre o parâmetro pretendido, neste caso, distância focal. Se os números se apresentarem bastante distribuídos, provavelmente uma objetiva zoom fará mais sentido. Mas se pelo contrário existir um valor de distância focal que se destaque dos restantes, claramente uma objetiva de focal fixa é a opção ideal para ti. Se existirem dois valores bastante acima dos restantes, então porque não duas objetivas fixas. A partir de três… provavelmente uma objetiva zoom.

Vantagens das objetivas zoom:

  • Versatilidade: Com apenas uma objetiva, é possível cobrir as várias distâncias focais mais utilizadas;
  • Poeira no sensor: Usando um zoom, não é necessário estar constantemente a trocar a objetiva para mudar a distância focal, minimizando o risco de deixar a poeira entrar e ficar presa na superfície do sensor;
  • Estabilização de imagem: Este argumento nem sempre é válido, pois já várias câmaras possuem estabilização de imagem no sensor. Mas, supondo que a câmera não tenha, a maioria das objetivas zoom possui estabilização óptica (cada fabricante aplica uma designação diferente, como IS, VR, OIS, VC…).

Vantagens das objetivas fixas:

  • Mais baratas: Nem sempre é o caso, mas geralmente uma boa objetiva zoom com uma abertura constante f/2.8 é mais cara que uma fixa.
  • Abertura máxima: De grande angular a telefoto, há uma grande variedade de objetivas para com aberturas máximas desde f/1.0 até f/2.0. Esta é a maior vantagem em comparação com os zooms, porque permitem captar imagens em ambientes mais escuros sem ter que aumentar muito o valor ISO;
  • Qualidade de imagem: Nem sempre é assim, porque existem objetivas zoom com uma excelente qualidade de imagem. Mas geralmente as objetivas fixas são superiores neste aspecto, nos diversos parâmetros que constituem a “qualidade de imagem”, que podem ir desde a nitidez às aberrações cromáticas;
  • Tamanho: Sendo geralmente pequenas e leves, esta é para mim uma das principais razões para usar objetivas fixas.
Mais um exemplo, retrato captado a 75mm.
O mesmo retrato mas captado a 24mm, com a cabeça desproporcional em relação ao corpo.

Como vimos, zoom ou fixa, cada uma tem o seu lugar dentro do nosso saco ou mochila. Ponderando os prós e os contras, desde há muito tempo a minha opção recaiu sobre as objetivas de focal fixa.

As fotografias anteriores que ilustram este artigo foram todas captadas com uma objetiva zoom. Deixo agora de seguida um conjunto de imagens feitas no mesmo dia, mas agora com as objetivas fixas que utilizo mais frequentemente.

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