Da Luz à Escala

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Marcos Moreira

"O meu nome é Marcos, tenho 27 anos, sou de Vila Nova de Gaia e sou arquiteto. Atualmente trabalho como arquiteto num escritório sediado no Porto e tento aproveitar ao máximo o meu tempo livre para viajar, conhecer novas realidades e culturas e cultivar o gosto pela fotografia."

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Creio que o meu interesse pela fotografia surgiu por volta da altura do secundário. Na altura, uma das minhas professoras convidou-me para fazer parte do clube de fotografia, que era organizado por ela. Nessa altura, trabalhávamos mais com fotografia analógica e aprendemos a revelar os nossos rolos e a imprimir as fotos, coisa que, provavelmente, hoje já não seria capaz de fazer. Foi também nesta altura que comprei a minha primeira máquina DSLR, uma Sony Alpha 350.

Fuji X-T2 . Fuji XF18-55mmF2.8-4 @18mm . f/2.8 . 1/4000″ . ISO 320

Ao longo da faculdade, o interesse foi crescendo gradualmente. Troquei a minha Sony Alpha 350 pela minha máquina atual, uma Nikon D3100, com uma lente de 18-55mm. O próprio curso envolveu alguns trabalhos pontuais que envolviam fotografia e precisava de uma máquina que apresentasse uma relação qualidade/preço razoável e, pela pesquisa que na altura fiz, essa preenchia os requisitos.

Fuji X-T2 . Fuji XF18-55mmF2.8-4 @18mm . f/4.0 . 1/6400″ . ISO 250

Estes trabalhos académicos que fui fazendo, embora fossem coisas muito esporádicas, serviram para alimentar a minha curiosidade e o meu interesse pela fotografia. Claro está, era um registo sempre muito interligado à arquitetura, em que, num dos casos, nos providenciavam uma lista de edifícios espalhados por Portugal, e o nosso trabalho seria o de criar um caderno de viagem.

Fuji X-T2 . Fuji XF18-55mmF2.8-4 @18mm . f/3.2 . 1/400″ . ISO 200

Penso que estes trabalhos e a própria formação académica que tive vieram moldar e influenciar bastante o tipo de fotografia pela qual me interesso. Apesar de não poder dizer que me restrinjo exclusivamente a este registo, identifico-me muito com a fotografia de arquitetura, sempre com uma relação muito intrínseca com a escala humana e com os jogos de luz e de sombras, também porque foram sempre temas muito abordados ao longo do curso como elementos essenciais a ter em conta no desenvolvimento e concepção de um projeto. Por este motivo, acredito que conseguir captar a forma como estes dois elementos interagem com o espaço vai contribuir para alterar a dinâmica da fotografia e conseguir dotá-la de uma carga emocional mais forte.

Fuji X-T2 . Fuji XF18-55mmF2.8-4 @27.7mm . f/3.2 . 1/125″ . ISO 3200

Mesmo quando altero o tipo de registo fotográfico para, por exemplo, fotografia de paisagem, tento, sempre que possível, relacioná-la com a escala humana. Na minha opinião, esta relação próxima com a figura humana vai alterar a percepção que se tem de uma imagem e vai ser capaz de intensificar as sensações que o elemento que estamos a fotografar transmitem, se é imponente e nos faz sentir minúsculos, se é apertado e nos faz sentir claustrofóbicos, ou se simplesmente é um espaço confortável e nos transmite tranquilidade.

Fuji X-T2 . Fuji XF18-55mmF2.8-4 @21.4mm . f/3.2 . 1/1600″ . ISO 200

A questão da luz/sombra apresenta-se de forma semelhante. Ultimamente tenho-me interessado por registos mais gráficos, onde procuro intensificar os contrastes entre os planos em luz e em sombra, de modo a ter essas dualidades na mesma imagem e de conseguir perceber como é que elas se encontram e o impacto que a própria projeção da sombra tem. Por vezes, tento transportar esta dualidade de luz e de sombra para a própria relação com a figura humana, testando as formas que a luz e a sombra dialogam com o elemento humano, a forma como este é, por vezes, absorvido pelo restante cenário.

Nikon D3100 . Nikon 18-55mmF/3.5-5.6 @22mm . f/3.5 . 1/4000″ . ISO 200

Falando agora do ponto de vista do processo fotográfico em si, a escolha dos locais nem sempre provém de um intuito de o fotografar, aliás, quase sempre começa como sendo um sítio que me suscitou curiosidade, alguma obra que gostava de visitar, ou até mesmo um ponto turístico e que depois se revela num sítio cheio de potencialidades com o timing certo. Geralmente fotografo em formato RAW, excepto quando fotografo com o telemóvel, e em modo manual de forma a ter mais controlo sobre a exposição que pretendo para cada fotografia.

Tento sempre tirar o máximo proveito da luz natural e das sombras projetadas, tendo já alguma ideia prévia do que pretendo fazer na pós-produção da imagem, principalmente quando se tratam de fotografias que envolvem essas sombras acentuadas e a figura humana. Não posso dizer que tenha propriamente um horário definido para este tipo de registo, no entanto, prefiro os dias de sol, em que as sombras estão definidas e desenhadas de uma forma muito clara.

Fuji X-T2 . Fuji XF18-55mmF2.8-4 @18mm . f/4.5 . 1/4000″ . ISO 250

Ultimamente tenho experimentado bastante fotografar com uma Fujifilm X-T2 emprestada o que me tem feito considerar trocar a minha câmera atual e investir numa mirrorless, uma vez que torna o processo de captura de imagem mais fácil e dinâmico, porque consigo ter percepção imediata se estou a calcular de forma correta a exposição e consigo ver o resultado que a imagem terá enquanto a estou a fotografar.

Fiquei bastante surpreendido pela positiva com a marca, quer pela qualidade fotográfica, quer pela dinâmica no processo, o que me tem levado a fazer alguma pesquisa sobre o assunto e, embora ainda não tenha decidido fazer a troca, tenho-me inclinado para uma Fujifilm X-T20. Para além de ser uma câmera mirrorless e com uma qualidade superior, é também uma câmera compacta e leve, o que acaba por ser uma grande vantagem para a levar em viagens ou em passeio, torna-se um elemento muito mais prático e confortável.

Nikon D3100 . Nikon 18-55mmF/3.5-5.6 @26mm . f/5.6 . 1/2000″ . ISO 200
Fuji X-T2 . Fuji XF18-55mmF2.8-4 @18.8mm . f/5.0 . 1/1000″ . ISO 200

Há uns anos atrás entrei numa loja de máquinas analógicas usadas e decidi comprar uma. Voltando a experimentar este tipo de fotografia que me tinha iniciado neste processo e com o qual já há vários anos que não tinha contacto. Foi especial voltar a esse registo. Senti que envolvia um processo mais cuidadoso e pensado, não só porque tinha que ter um controlo mais cuidado da exposição, já que o fotómetro não funcionava por ser uma máquina antiga, e da focagem, que era manual, mas também o facto de fotografar em filme fazia-me ser mais seletivo com o que queria fotografar, com o enquadramento. A foto que ia fazer seria a final, ao contrário da fotografia digital em que se pode tirar quase uma sequência de fotos e de ver qual a melhor.

Nikon D3100 . Nikon 18-55mmF/3.5-5.6 @18mm . f/3.5 . 1/2500″ . ISO 200

Abordando agora a questão da pós-produção um pouco mais a fundo, normalmente faço a edição no Lightroom, com a excepção de alguns pormenores em que passo a imagem para o Photoshop, de modo a remover algum lixo do chão, por exemplo, ou outros elementos que estejam a entrar em conflito com o resto da imagem. No Lightroom, como referi antes, tiro muito partido das máscaras de modo a intensificar as sombras e tornar a fotografia mais gráfica.

Tento procurar uma dualidade na fotografia, dos planos em sombra, negros, que cortam e enquadram o restante cenário. Para além disso, aplico sempre inicialmente alguns presets que uso normalmente, mas depois faço alguns ajustes de luz, contraste, sombra e também das cores. De um modo geral, tento suavizar as cores de forma a que a imagem tenha uns tons mais suaves.

Nikon D3100 . Nikon 18-55mmF/3.5-5.6 @22mm . f/3.5 . 1/2000″ . ISO 200

Hoje em dia posso dizer que o interesse pela fotografia continua a crescer, não só pela experiência que vou tendo e por querer aprender e melhorar de algum modo, mas também porque é cada vez mais fácil estar em contacto com o trabalho de muitas pessoas talentosas através de plataformas como o Instagram, Facebook, etc., e esse acesso a outros trabalhos, para mim pessoalmente, tem servido como uma fonte de inspiração e motivação para querer aprender e fazer mais.

Nikon D3100 . Nikon 18-55mmF/3.5-5.6 @35mm . f/4.5 . 1/4000″ . ISO 200

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