Capture o incrível outono com a sua câmara Fujifilm

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Maurício Reis

A fotografia faz parte da minha vida desde sempre, mas com mais intensidade desde 1999, quando comprei a minha primeira máquina digital, com menos de um megapixel de resolução. Entretanto passaram 20 anos e a paixão continua a mesma. Ou ainda maior. Se é verdade que gosto de todos os géneros de fotografia, desde o desporto, moda, retrato e de rua, é na paisagem que encontro o meu equilíbrio. Gosto de me levantar cedo, ou de ficar bem para lá depois do sol se pôr, gosto de sentir o vento, os sons, a natureza...

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Esta é a época do ano por que todos nós, fotógrafos – especialmente os de paisagem – tanto esperamos. O outono. Para trás ficam meses de sol intenso, céus limpos, calor. Com ele chega a luz mais bonita – baixa e inclinada -, as manhãs de nevoeiro, as horas decentes do nascer e pôr do sol. Os bosques ganham outro encanto, com a explosão de cores das folhas em tons castanho-alaranjados, amarelos. O musgo bem verde junto às cascatas, com o sol a tentar penetrar através das copas das árvores. Tudo reunido e temos a mágica receita para fotografias espetaculares. Apenas falta juntar a sua câmara Fujifilm para registar todo o outono, todas as suas cores, toda a sua luz. Neste artigo, deixo algumas dicas de como pode usá-la para guardar toda esta estação do ano nas suas fotografias.

Fuji X-T1 . Fuji XF18-55mmF2.8-4 @18mm . f/2.8 . 1/125″ . ISO 200

Equipamento
Teria, quase obrigatoriamente, de começar por falar no equipamento. Enquanto pessoas, naturalmente que podemos apreciar toda a beleza que o outono nos oferece. Mas depois entra o nosso lado de fotógrafo e é impossível não registar os melhores momentos desta estação do ano. E, para isso, precisamos de uma câmara fotográfica. E, para isso, podemos contar com as nossas Fujifilm.

Não precisa de comprar, ou ter, a mais cara. Em rigor, qualquer uma que tenha chegará perfeitamente para conseguir fotografias fantásticas.

O conjunto que uso e em que confio para fotografar o outono é Fuji X-T2, ou Fuji X-E3, com as objetivas Fuji XF14mmF2.8, Fuji XF18-55mmF2.8-4 e a teleobjetiva Fuji XF55-200mmF3.5-4.8. Mas se apenas tiver uma Fuji X-T100 com a Fuji XC15-45mm, acredito que conseguirá guardar toda a beleza e cores desta época mágica.

Fuji X-T1 . Fuji XF18-55mmF2.8-4 @18mm . f/4.5 . 1/20″ . ISO 200

Como já certamente sabe, a escolha da objetiva pode e vai influenciar o efeito dramático da imagem final. Olhe em redor, com atenção, e sinta qual a objetiva que melhor consegue transmitir para a câmara e resultado final tudo aquilo que está a ver. Uma grande angular, como a XF14mm, é a ideal para registar o grande cenário, ou para destacar os elementos do primeiro plano, como uma folha mais proeminente, um ramo caído de uma árvore, de uma rocha com musgo, por exemplo. A XF18-55mm oferece-me uma grande versatilidade e uma muito interessante qualidade de imagem. A XF55-200mm, enquanto teleobjetiva, é ótima para comprimir a perspetiva e isolar alguns detalhes do bonito outono.

Como fotógrafo de paisagem seria altamente improvável que não recomendasse o uso de um (bom) tripé, o que ajuda não só com tempos de exposição que podem chegar a vários segundos, como nos faz abrandar e a olhar para o que nos rodeia com muito mais atenção. Mas, para ser sincero, muito há a dizer sobre as vantagens de (também) fotografar à mão.

Fuji X-T2 . Fuji XF55-200mmF3.5-4.8 @104.9mm . f/11 . 0.4″ . ISO 200

No que respeita a filtros, pode não levar qualquer outro mas, por favor, não saia de casa para fotografar o outono sem um filtro polarizador. Este é fantástico para destacar ainda mais o céu azul – atenção ao usá-lo com uma grande angular, por forma a evitar azuis inconstantes -, a destacar as nuvens, a remover o brilho da água e das folhas, a saturar as cores, dando maior impacto às imagens que levar para casa.

Os filtros de densidade neutra em gradiente (neutral density graduated filters) são outra boa aposta. Estes estão disponíveis, normalmente, em densidades compreendidas entre 1 a 3 stops e com variação do gradiente entre duro (hard) e soft. Estes filtros são usados para guardarem informação das altas luzes, na maioria das vezes céu e água, para conseguir uma exposição mais equilibrada. Como dica, nunca se esqueça de que o céu é quase sempre mais claro do que o primeiro plano e que não deve ser óbvio de que usou um filtro para equilibrar a luz na sua fotografia.

Por fim, certifique-se de que as suas objetivas e filtros estão sempre limpos. Leve um pano macio, como o que se usa para limpar as lentes dos óculos, por exemplo, para manter tudo sempre impecável, principalmente se estiver a fotografar junto a uma cascata, mar, ou se estiver neblina.

Fuji X-E3 . Fuji XF23mmF2 @23mm . f/16 . 0.5″ . ISO 100

Definições ideias da câmara
Desde que mudei de sistema, de Canon para Fuji, noto que quando estou a fotografar o faço de forma mais eficiente. Nas câmaras Fuji, na maioria dos casos os botões principais estão disponíveis no topo da câmara, facilitando a (rápida) alteração das definições. É uma das coisas de que mais gosto na minha Fuji X-T2 e que me fez apaixonar pelo sistema X.

Ao fotografar no modo de prioridade à abertura (A), sei que consigo controlar a profundidade de campo, que é fator crítico em fotografia de paisagem. Contudo, também é muito habitual fotografar em modo totalmente manual, principalmente quando a luz se altera a uma velocidade vertiginosa, como acontece no início e fim de dia – talvez ainda mais depressa neste caso.

Habitualmente parto de uma abertura na casa de f11, a não ser que deseje limitar a profundidade de campo para destacar algum elemento, mas de uma forma geral, quero que toda a cena esteja bem focada. Caso esteja a usar um filtro de densidade neutra que corte muitos stops de luz, como o Lee Big Stopper (que é o que tenho), conforme a hora do dia posso ter necessidade de ajustar a abertura para valores mais baixos, f8 ou menos, no caso da exposição começar a ficar para lá do razoável (2, 4 minutos, às vezes mais) porque a luz começa a escassear, ou recorrer a valores maiores, f13, f16, f18, ou esquecendo os problemas de refração e colocar em f22, caso necessite de ter uma longa exposição a meio de um dia com muita luz.

Fuji X-T1 . Fuji XF18-55mmF2.8-4 @18mm . f/13 . 2.5″ . ISO 200
Fuji X-T2 . Fuji XF18-55mmF2.8-4 @18mm . f/16 . 1.0″ . ISO 200

Por forma a conseguir imagens limpas, selecione o valor ISO mais baixo que as minhas Fuji permitem, no caso ISO 200 (se tiver uma X-T3 este valor é 160). Se estiver a fotografar com tripé, como acontece na maioria dos casos, a velocidade de obturação pouco relevante se torna, a não ser que queira fazer algum efeito mais criativo, como rodar a câmara para cima e para baixo, ou para os lados, no decorrer de uma exposição.

Também já aconteceu por diversas vezes, por preguiça, por facilidade, pela rapidez do momento, ou qualquer outra razão, ter de fotografar à mão. Nestes casos, na X-T2 altero o valor ISO ‘on the fly’ no respetivo botão. Já na X-E3, como tenho de recorrer ao menu para ajustar o ISO, coloco o mesmo em Auto, com valor base nos 200 e com limite superior nos 3200. A velocidade do obturador depende se a lente possui estabilização, do seu tamanho, peso e distância focal. Dica: recomendo vivamente que teste o melhor que conseguir – e isso faz-se saindo para fotografar e não sentado ao computador – para ver até que velocidades consegue fotografar mão de forma segura.

Como referi um pouco atrás, fotografar paisagens significa que procuramos, na grande maioria das vezes, queremos ter tudo bem focado, desde o primeiro plano até ao infinito. Mas como podemos conseguir isto? Já deve ter lido várias vezes e em vários locais, que a profundidade de campo é determinada pela distância focal, a abertura e a distância de focagem. As objetivas grande angular oferece maior profundidade de campo a determinada abertura do que uma teleobjetiva. E aberturas pequenas, como f11 ou f16, permitem maior profundidade de campo do que aberturas maiores (f4, f2.8 por exemplo).

Fuji X-T1 . Fuji XF18-55mmF2.8-4 @55mm . f/11 . 5.0″ . ISO 200

O ponto de focagem para maximizar a profundidade de campo varia com diferentes objetivas a diferentes aberturas, como já disse, mas como exemplo, usando uma abertura de f11 com a XF14mm e focando a 1m, tudo ficará focado e bem detalhado desde os 47cm até ao infinito.

Pode praticar e saber mais sobre Hyperfocal Distance neste excelente artigo. Mas se está com pressa para sair para ir fotografar o outono antes que este termine, se usar uma grande angular, com uma abertura próxima de f11, se fotografar para cerca de um terço da distância – não é medida exata, mas por norma funciona – conseguirá uma boa focagem de toda a cena.

Para medição, quase sempre tenho a X-T2 e X-E3 no modo Multi-segment, que nos oferece um valor de exposição médio da leitura efetuada em toda a cena. Funciona bem em grande parte das situações. Contudo, se a luz está mesmo complicada, ou se quero um sentimento diferente para a imagem (como  destacar uma área onde um raio de sol está a incidir), posso usar o modo Spot.

Fuji X-T2 . Fuji XF14mmF2.8 @14mm . f/11 . 1/25″ . ISO 200

Tenho sempre o histograma visível, para avaliar o estado da exposição. Tendencialmente, tento fotografar, quanto possível, mais chegado à direita – técnica a que se dá o nome de Expôr para a Direita – para guardar o maior detalhe possível, mas sem nunca estourar as altas luzes (parte mais à direita do gráfico), ou ficar sem informação nas sombras (gráfico mais encostado à esquerda do gráfico). Lembro que o ficheiro RAW nos oferece sempre mais informação, do que aquela que é representada no gráfico do histograma.

Se estou a fotografar no modo de prioridade à abertura, faço pequenos ajustes no botão de compensação à exposição de acordo com o for necessário no momento. Só para ter uma ideia, se estiver a fotografar um enigmático nevoeiro numa bela manhã de outono, o sistema de medição vai ser enganado, acabando por ter imagens subexpostas, com aspeto cinzento em vez de branco, pelo que a capacidade que a Fuji me oferece em poder ajustar rápida e facilmente o aumento da exposição e trazer a real luz para a imagem é algo espetacular.

Quanto ao formato de ficheiro, tenho sempre as minhas câmaras definidas para a maior resolução possível e no modo RAW+JPG. Se gosta de usar as simulações de filme, tem uma exposição bem feita e equilibrada e não quer perder muito tempo em frente ao computador, os ficheiros JPG da sua Fuji é imbatível. Por outro lado, se gosta de extrair ao máximo a capacidade da câmara e dos ficheiros, então não há volta a dar, o RAW é o formato a usar, sem qualquer margem para dúvidas.

Fuji X-T1 . Fuji XF18-55mmF2.8-4 @55mm . f/4.0 . 1/125″ . ISO 200

Até há pouco tempo recorria, enquanto utilizador Lightroom, muitas vezes aos ficheiros JPG, porque nunca conseguia o mesmo nível de detalhe no RAW editado no programa da Adobe. Mas desde que descobri o Capture One, já não quero outra coisa e agora só uso os ficheiros RAW. Mas sobre isto pode saber mais neste artigo.

Não se esqueça também de usar a facilidade do ecrã rotativo (flip-out screen) para fotografar de planos mais baixos, ou difíceis, para oferecer um outro impacto às suas imagens. Se estiver a usar um tripé e não tiver um comando disparador consigo, recorra ao temporizador da sua Fuji (2 ou 10 segundos, mas por norma os 2 são a opção que mais uso). Já agora, para finalizar, não deixe de experimentar os vários formatos de corte que lhe são oferecidos, especialmente o formato quadrado 1:1, que pode selecionar em ‘Image Quality Setting’ > ‘Image Size’, desde o menu da câmara. O efeito, ou corte, só é aplicado ao ficheiro JPG, já que continuará a obter um RAW no tamanho habitual, se necessário.

Muito mais poderia dizer, mas penso que já tem aqui material suficiente para se inspirar. E agora convido o leitor (e leitora) a pegar na mochila do equipamento e sair da frente do computador, para ir fotografar as bonitas cores e a luz fantástica que está lá foram que o outono nos oferece…

Fuji X-E3 . Fuji XF55-200mmF3.5-4.8 @200mm . f/4.8 . 1/100″ . ISO 800

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