Pocophone F1: Um smartphone de baixo custo com uma câmara competente?

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Hugo Pinho

"Viajar, descobrir novos locais e culturas é um prazer inigualável. E com o passar dos anos vou-me apercebendo das mudanças rápidas que vão acontecendo neste mundo. Seja ao nível da paisagem urbana que se vai modificando a um ritmo acelerado, seja pelas pessoas nascem e as que partem, culturas e tradições em risco de desaparecer. E se for possível registar tudo isso para memória futura, é mais do que algo que se encontra ao nosso alcance, é quase uma obrigação. Sou o Hugo, fotógrafo documental."

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A chegada do Xiaomi Pocophone F1 veio abanar o mercado, entregando especificações de topo a um custo médio/baixo. Por favor note que esta não é uma review deste smartphone, mas sim da sua câmara que, como fotógrafo, é a parte que mais me interessa. Irei também comparar com o meu smartphone atual, o iPhone SE, para descobrir qual dos dois tem uma câmara mais capaz.

Introdução
Se procura uma review completa deste smartphone, listando todas as suas especificações e detalhes técnicos, não a irá encontrar neste artigo. Mas através da seguinte ligação poderá verificar tudo o que necessita de saber: Full phone specifications – GSMArena

Comprei este telemóvel essencialmente para ser utilizado como ferramenta de trabalho quando estou fora do escritório, porque frequentemente necessito de verificar os emails, páginas web, YouTube e redes sociais dos meus projetos profissionais e pessoais. Com um ecrã de 6.18”, 6GB de memória RAM, 128GB de ROM (expansível através de cartões micro SD até 256GB) e um processador Qualcomm Snapdragon 845 processor, este dispositivo é sem dúvida uma ferramenta poderosa e versátil.

Nota prévia: Desde há vários anos que sou utilizador do sistema operativo IOS, desde o iPhone 4S, por isso com este Pocophone F1 terei de me adaptar novamente a aparelhos com Android. Embora já tenha utilizado telemóveis com Android no passado, pela minha experiência considero o sistema IOS muito mais intuitivo, estável e com uma maior oferta de aplicações disponíveis, que também funcionam de forma ligeiramente diferente do que num telemóvel Android. Por exemplo, usar o Instagram em IOS é bastante mais fácil e rápido. A versão para Android não é exatamente a mesma coisa. Mas não vou deixar que esses pormenores influenciem esta análise ao Pocophone F1, que se focará essencialmente na sua câmara.

Facilidade de utilização e Performance
Como mencionado atrás, algumas aplicações não funcionam exatamente da mesma forma nos dois sistemas operativos, o que torna a adaptação um pouco frustrante no início. Pior ainda, algumas aplicações existem apenas para IOS, o que me leva a procurar alternativas, que nem sempre existem, ou pelo menos não funcionam do mesmo modo e com os mesmos resultados.

Relativamente à aplicação da câmara, tem as funções habituais para fotografia, vídeo, panorama e câmara-lenta. Funciona bem e é razoavelmente responsiva. Pressionando prolongadamente o botão de disparo tira uma série de fotografias em modo de disparo contínuo. Mas quando pretendo tirar apenas uma fotografia de cada vez, noto que após cada captura existe um pequeno atraso até que a câmara esteja pronta novamente. Trata-se de algo mínimo, quase imperceptível, e provavelmente a maioria dos utilizadores não vai sequer notar. Mas para um telemóvel lançado recentemente e com especificações de topo, esperava um pouco mais de performance.

A câmara principal possui um sensor com 12 megapíxeis, uma abertura de f/1.9 e tem o sistema de focagem “Dual Pixel Phase Detection Autofocus (PDAF)” que funciona de forma bastante rápida, por isso sem reclamações nesta matéria.

A distância focal é de 3.94mm, o que para um sensor de 1/2.55” (Sony IMX363) significa um campo de visão equivalente ao de uma objetiva de 24mm (equivalente full-frame). Para efeitos de comparação, o meu iPhone SE tem uma objectiva de cerca de 29mm (equivalente full-frame), por isso a objetiva do Pocophone F1 é bastante mais ampla. De 24 para 29mm pode não parecer muito, mas na realidade é uma diferença bastante notória. Esta característica do Pocophone F1 não é melhor ou pior, é apenas uma questão de preferência e não me importo de ter uma objectiva mais ampla.

O Pocophone F1 tem também uma câmara traseira secundária de 5 megapíxeis e abertura f/2.0 e que funciona apenas como sensor de profundidade para o modo de retrato. Esta função tornou-se um standard nos smartphones mais recentes, permitindo fazer retratos com os fundos desfocados como se tivessem sido captados por uma câmara com um sensor maior, como por exemplo full-frame ou APS-C. Sinceramente, este tipo de funções é algo que não planeio usar de todo e tirei apenas algumas imagens de teste para verificar como funciona, por isso, nesta análise não me irei alongar muito sobre o assunto. Quando fotgrafo retratos, e trata-se de algo que faço com bastante frequência, uso as minhas câmaras principais, não sendo para esse efeito que adquiri este smartphone. Por isso nesta análise irei concentrar-me nas funções que irei realmente utilizar. Será a minha câmara de reserva em algumas situações, ou quando não quero levar uma câmara fotográfica comigo, como por exemplo nas minhas caminhadas semanais.

No entanto, para os que pretendam saber mais sobre o modo de retrato, a título de exemplo fotografei esta estátua e o resultado foi bastante aceitável em termos de separação do fundo. Nas primeiras gerações de smartphones com esta função por vezes o processador de imagem tinha algumas dificuldades com os contornos, tais como as zonas de cabelo e nas orelhas. Mas por favor tenha atenção a pequenos pormenores como por exemplo: quando o sensor reconhece um rosto e automaticamente faz a focagem nessa área, o modo de exposição que eu tinha predefinido como matricial fica automaticamente substituído como pontual de forma a fazer a correta leitura e exposição da cara, o que neste caso sobre-expôs as altas luzes no plano de fundo.

Ao contrário do que acontece noutras marcas, no Pocophone F1 este modo não funciona exclusivamente com caras, podendo ser também utilizado em objetos como ilustrado no exemplo abaixo.

O Pocophone F1 também possui uma câmara frontal de 20 MP f/2.0, mas exceptuando algumas poucas “selfies” que possa fazer em contexto pessoal, ou mesmo em chamadas de Skype, como fotógrafo não é uma câmara que tencione usar com frequência, por isso não a vou abranger neste teste.

O sensor de impressões digitais funciona bem, na verdade mesmo muito bem. Contudo, encontrando-se posicionado demasiado próximo das câmaras, mesmo que não intencionalmente acontece muito facilmente tocar nas lentes ao tentar desbloquear o telefone, local onde precisamente não queremos deixar impressões digitais.

A bateria tendo uma capacidade de 4000mAh encontra-se entre os melhores valores da sua classe e ultrapassa até alguns aparelhos de topo. Comparando com o iPhone SE, que numa situação de utilização normal dura um dia, o Pocophone dura o dobro. Mesmo utilizando as redes sociais, verificando o email várias vezes por dia, visualizando alguns vídeos e editando fotografias, a sua bateria dura cerca de 2 dias.

Por falar em edição de fotografias, uma das razões que me levou a comprar este telefone foi a possibilidade de utilizar o Adobe Lightroom CC para uma edição rápida das imagens, quer elas tenham sido captadas no próprio telemóvel ou descarregadas das minhas câmaras, quando me encontro fora do escritório e necessito de editar e publicar na própria hora.

Sou utilizador do software da Adobe há cerca de 7 anos, mesmo antes do Lightroom fazer parte do plano de subscrição, mas acredito que a utilização de programas alojados na núvem serão certamente o futuro da Fotografia.

O Lightroom é um software bastante exigente para o hardware destes equipamentos, mas com o processador Snapdragon 845, este aparelho corre-o sem qualquer problema, com bastante fluidez. E o enorme ecrã de 6.18” é uma boa ajuda para este tipo de trabalho.

Relativamente ao ecrã, não está ao nível dos mais recentes iPhones ou das ofertas de tipo da Samsung e Huawei, mas não deixa de ser bastante interessante considerando o seu preço.

Qualidade de Imagem
Esta análise não é um teste científico da câmara, mas sim as minhas primeiras impressões numa utilização real.

Nota: A menos que mencionado expressamente, todas as imagens aqui mostradas são capturas diretas da câmara deste telemóvel, sem qualquer edição posterior ou filtros aplicados.

Uma vez que a maioria dos fabricantes partilha componentes, sensores e lentes, no fim de contas o que realmente irá marcar a diferença serão os algoritmos de processamento das imagens desenvolvidos pelas marcas para criar a imagem final. O software de câmara do Pocophone está equipado com o modo AI (Artificial Intelligence) e eu estava bastante curioso para descobrir quão bem ele funciona. Esta opção pode ser ligada ou desligada e basicamente utiliza algoritmos para identificar automaticamente o cenário que estamos a fotografar, tal como retrato, paisagem, arquitetura, comida e por aí fora, de modo a adaptar o processamento da imagem adaptado à situação particular que estamos a fotografar. A fotografia computacional deu um salto enorme nos últimos anos e os fabricantes de câmaras deveriam estar mais atentos a isto e começar a incorporar nos seus aparelhos alguma desta tecnologia já presente em muitos telemóveis.

Por isso, para testar se realmente esta função funciona bem, fiz algumas imagens de teste com o AI ligado e desligado, e que poderá encontrar nos exemplos abaixo.

AI ligado
AI desligado
AI ligado
AI desligado
AI ligado
AI desligado

Observando os exemplos acima podemos de imediato verificar que os céus são mais azuis, a erva é mais verde e de uma forma geral a imagem é mais contrastada. Para o meu gosto pessoal o processamento feito pela câmara com o AI ligado vai um pouco longe demais, por isso decidi simplesmente não o usar. Compreendo o seu interesse, porque o resultado final é uma imagem já acabada, adaptada a cada cena, para que possa ser usada sem necessidade de qualquer pós-processamento. Mas como no meu fluxo de trabalho habitual gosto de editar as imagens, desliguei a opção AI e nas configurações selecionei: Contrast – Low; Saturation – Normal; Sharpness – Low. Desta forma a imagem sairá um pouco desinteressante mas bastante mais fácil de trabalhar em pós-processamento.

A aplicação da câmara também tem a opção HDR (High Dynamic Range), permitindo capturar mais detalhe, especialmente nas altas luzes e nas áreas mais escuras da imagem. É possível ligar, desligar ou colocar esta função no modo Auto. Após um rápido teste decidi deixar em Auto porque apercebi-me que o telemóvel apenas ativa o HDR quando é realmente necessário e mesmo nessas situações o resultado final é bastante natural, sem exageros. Em alguns smartphones o processamento do HDR vai longe demais, deixando a fotografia com um aspecto totalmente artificial, mas no Pocophone esta função é bastante equilibrada e funciona bem.

De uma forma geral a qualidade de imagem é bastante boa e em certas situações até me surpreendeu. Com boas condições de iluminação as imagens têm imenso detalhe, cores naturais e uma boa dose de saturação. Em situações de pouca luz as coisas mudam bastante, porque a câmara aplica uma forte dose de redução de ruído que esbate o detalhe mais fino.

Tendo uma lente equivalente a 24mm é natural que exiba alguma distorção e devemos estar cientes disto ao fotografar arquitetura. Se a câmara estiver apontada num plano aproximadamente horizontal, paralelo ao terreno, a distorção é quase imperceptível. Mas se apontarmos um pouco mais para cima, as linhas verticais mais próximas das margens da fotografia vão aparecer oblíquas.

Distorção das linhas verticais mais próximas das margens.

Mas como podemos verificar nesta fotografia abaixo, a distorção de uma forma geral até é bastante boa para uma objectiva de 24mm.

Outros aspeto que me surpreendeu foi o facto das aberrações cromáticas estarem muito bem controladas. Este é um problema bastante comum nas objetivas e que ocorre quando se fotografam cenas bastante contrastadas, como estes ramos em contraluz. Geralmente aparecem franjas azuis, verdes ou roxas ao longo dos bordos de maior contraste do assunto fotografado. Mas como se pode verificar na imagem ampliada são praticamente inexistentes. Acredito que este bom comportamento da câmara se deve não à qualidade das lentes, mas antes às correções efetuadas pelo processamento da imagem. Em qualquer dos casos, uma excelente classificação nesta matéria.

Situação de contraluz com bordos detalhados contra um céu brilhante.
Aberrações cromáticas quase inexistentes.

Fotografando contra o sol ou uma fonte de luz bastante brilhante, o “flare” aparece e é bastante visível, reduzindo significativamente o contraste e a saturação das imagens.

“Flare” da objetiva quando fotografando contra o sol

Mas em fotografia nem sempre queremos uma imagem perfeitamente detalhada e contrastada, por isso é sempre possível utilizar esse flare para introduzir alguns efeitos mais criativos.

Exemplos com e sem o “flare” da objetiva.

Agora gostaria de verificar como a câmara do Pocophone F1 se comporta contra o meu smartphone atual, o iPhone SE. Esta é uma comparação injusta porque o iPhone SE tem a mesma câmera que o 6S lançado em 2015, 3 gerações antes do atual modelo, o iPhone XS.

Ambos os aparelhos têm uma câmera de 12 megapixels, o que é mais do que suficiente para os usos atuais de publicação na web e nas redes sociais, ou até mesmo para impressão. O iPhone SE não tem a câmara secundária funcionando como sensor de profundidade para o modo retrato, mas como eu disse anteriormente, esta é uma função que não me interessa minimamente.

Vamos agora ver algumas imagens comparativas.

Pocophone F1
iPhone SE

As imagens acima foram tiradas muito cedo, antes do nascer do sol, então o tom azulado do iPhone está mais próximo da realidade. Como tenho notado em todas as imagens comparativas destes dois aparelhos, o Pocophone sempre apresenta uma imagem mais quente e brilhante. Nestas duas imagens, também é possível verificar a diferença entre a objetiva de 24mm da Pocophone e a lente 29mm do iPhone. O Pocophone tem um campo de visão muito mais amplo.

Pocophone F1 – imagem ampliada
iPhone SE – imagem ampliada

Ampliando ambas as imagens, elas mostram uma quantidade similar de detalhes (note-se que a objetiva do Pocophone é mais ampla). Eu estava esperando mais do Pocophone, dada a diferença de 3 anos e tendo uma objetiva de abertura f/1.9, mais brilhante, contra a f/2.2 do iPhone.

No Pocophone também podemos notar como os detalhes estão um pouco mais esbatidos. É utilizável em situações de pouca luz, mas claramente perde uma boa quantidade de detalhes. Em termos práticos, esse fenómeno só é observado no monitor de 27 “do meu computador iMac, porque numa situação do mundo real, para publicar na web, Instagram ou Facebook, isso é quase imperceptível.

No seguinte conjunto de imagens podemos ver mais uma vez que o Pocophone apresenta uma imagem mais brilhante e tons mais quentes. Ampliando verifica-se que o nível de detalhe apresentado é semelhante em ambos os aparelhos.

Pocophone F1
iPhone SE
Pocophone F1 – imagem ampliada
iPhone SE – imagem ampliada

Mais uma vez, no seguinte par de imagens podemos ver cores mais quentes, mas agradáveis, nas imagens do Pocophone.

Pocophone F1
iPhone SE

Agora que as condições de iluminação melhoraram começamos a ver alguma vantagem no Pocophone em termos de detalhe. Verifique nas imagens ampliadas em baixo.

Pocophone F1 – imagem ampliada
iPhone SE – imagem ampliada

A próxima cena mostra uma situação de iluminação complicada e ambos os telemóveis ativaram automaticamente o HDR. Mas aparentemente no Pocophone o processamento foi um pouco mais além, apresentando uma maior gama dinâmica e retendo mais detalhe quer nas sombras quer nas altas luzes.

Pocophone F1
iPhone SE

O próximo conjunto de imagens tiradas a este edifício sob um sol brilhante mostram que o iPhone apresenta um balanço de brancos mais preciso e próximo da realidade. A fotografia do Pocophone é um pouco mais saturada (embora nas definições tenha escolhido um nível mais baixo de saturação) e as paredes brancas apresentam uma tonalidade ligeiramente esverdeada.

Pocophone F1
iPhone SE

Verificando as imagens ampliadas, o nível de detalhe apresentado é semelhante em ambos os equipamentos, mas bom de uma forma geral.

Pocophone F1 – imagem ampliada
iPhone SE – imagem ampliada

Finalmente, como fotógrafo, nas minhas câmaras estou habituado a fotografar no formato Raw, obtendo ficheiros mais flexíveis e que permitem fazer ajustes como balanço de brancos, contraste e uma maior capacidade para recuperar informação nas altas luzes e sombras.

O Pocophone F1, mesmo usando o modo Manual, não permite a captura de imagens no formato Raw. Para a maioria dos usuários, o formato Jpg será mais que suficiente para todos os usos, com resultados muito interessantes e sem necessidade de ajustes no pós-processamento. No entanto, como eu gostaria de fazer este teste, decidi utilizar a aplicação Lightroom CC do meu plano da Adobe, usando-a para a captura de imagem em vez do aplicação nativa da câmara. O Lightroom permite gravar em formato DNG (Digital Negative) e fazer os ajustes necessários nesses ficheiros.

Adobe Lightroom CC

Para cada cena eu tirei 2 fotos: uma com a aplicação nativa do Pocophone e outra com o Lightroom CC. A partir do ficheiro DNG do Lightroom, exportei uma imagem no início antes de qualquer ajuste feito, e outra depois de processar o ficheiro, ajustando parâmetros como exposição, recuperação de sombras e realces, saturação, contraste e nitidez. Então, para cada situação veremos 3 imagens:

  1. App de câmara nativa do Pocophone F1
  2. Imagem do Lightroom antes do processamento
  3. Imagem do Lightroom após o processamento

Vamos então verificar os resultados e retirar algumas conclusões:

Exemplo 1:

Pocophone camera app
Imagem do Lightroom antes do processamento
Imagem do Lightroom após o processamento

Como podemos ver, o Lightroom fez um ótimo trabalho recuperando alguma textura na parede branca sobreexposta. No entanto, a Pocophone fez um trabalho ainda melhor com sua opção Auto-HDR, produzindo um ficheiro Jpg cheio de detalhes e acertou em cheio no valor da exposição sem a necessidade de qualquer ajuste.

Exemplo 2:

Pocophone camera app
Imagem do Lightroom antes do processamento
Imagem do Lightroom após o processamento

Mais uma vez, o aplicativo da câmera Pocophone fez um ótimo trabalho. A única vantagem do ficheiro DNG produzido pelo Lightroom é a opção de fazer alguma correção que se revele necessária no balanço de brancos.

Exemplo 3:

Pocophone camera app
Imagem do Lightroom antes do processamento
Imagem do Lightroom após o processamento

O mesmo nesta situação complicada. O Auto-HDR do Pocophone F1 foi capaz de fazer um trabalho melhor, recuperando informação nas altas luzes no céu.

A ampliação abaixo mostra como funciona bem a aplicação da câmara Pocophone, conservando imenso detalhe nesta situação em contraluz. E mais uma vez, nenhum sinal visível de aberrações cromáticas.

Pocophone camera app (imagem ampliada)

Conclusão
Esta análise é baseada nas minhas primeiras impressões sobre a câmara do Pocophone F1. Comecei a utilizá-lo há cerca de uma semana e não tive ainda a hipótese de testá-lo numa grande variedade de situações. Mas por enquanto a minha opinião é bastante positiva. Ao criar um telemóvel com estas especificações e nesta faixa de preço, seria de se esperar que a Xiaomi economizasse em alguns componentes, mas a câmara não foi um deles. Certamente não é comparável com as câmaras de equipamentos de topo como o iPhone XS ou o Huawei P30 Pro, mas é muito competente e no geral estou bastante satisfeito. Não tem a sensação premium do vidro ou aço inoxidável, mas sendo feito de plástico de alta qualidade, parece muito bem construído e sólido.

A comparação com o meu telefone anterior é um pouco injusta, porque o iPhone SE foi lançado em Março de 2016. Mas foi interessante ver que a câmara do iPhone ainda está atualizada e é bastante capaz. As cores do iPhone são mais naturais e precisas, mas o Pocophone produz imagens agradáveis e quentes, prontas para serem publicadas, sem a necessidade de ajustes em pós-processamento.

Falando de pós-processamento, foi uma grande surpresa ver que os ficheiros Jpeg do Pocophone parecem muito melhores que os DNG processados no Lightroom. Mantendo muitos detalhes nas sombras e altas luzes, dificilmente necessito de fotografar em DNG, exceto em situações muito específicas em que necessite corrigir o equilíbrio de brancos.

A opção AI parece uma ideia interessante no início, mas para a minha preferência vai um pouco longe demais em termos de saturação e contraste, produzindo resultados pouco naturais.

As minhas definições atuais são:

  • AI – Off
  • HDR – Auto
  • Contrast – Low
  • Saturation – Normal
  • Sharpness – Low

Estas definições permitem-me obter bons jpegs diretamente da câmara, mas com flexibilidade suficiente para aplicar alguns ajustes ou presets no pós-processamento.

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